Jasveen Sangha, a “Rainha da Cetamina”, recebe pena máxima por envolvimento na morte de Matthew Perry
Jasveen Sangha, conhecida como a “Rainha da Cetamina”, foi condenada a 15 anos de prisão nesta quarta-feira (8). A decisão foi tomada em um tribunal da Califórnia e se refere ao seu papel na morte do ator Matthew Perry, famoso por interpretar Chandler Bing na série “Friends”.
Segundo as autoridades locais, Sangha é acusada de vender a substância que levou à overdose fatal do ator em outubro de 2023. A condenação marca um ponto crucial nas investigações sobre a rede de fornecimento ilegal de drogas que atingiu o astro.
A “Rainha da Cetamina”, de 42 anos, já havia admitido sua culpa em cinco acusações federais, incluindo a distribuição de cetamina que resultou em morte. Ela está detida desde agosto de 2024 e é uma das cinco pessoas responsabilizadas pelo caso, que expôs um esquema complexo envolvendo intermediários e profissionais de saúde. Conforme informação divulgada pelas autoridades, a cetamina fornecida ao ator era revendida a preços exorbitantes, com traficantes pagando apenas uma fração do valor.
O esquema de “preços inflados” para clientes ricos
De acordo com os promotores, Jasveen Sangha operava um verdadeiro “centro de distribuição” em sua residência em North Hollywood. Lá, ela vendia drogas para uma clientela abastada, incluindo o ator Matthew Perry. A cetamina destinada a Perry, por exemplo, era revendida por valores extremamente elevados. Relatos indicam que o ator chegou a pagar cerca de US$ 2 mil, o equivalente a R$ 10,3 mil na cotação atual, por apenas um frasco da substância.
Mensagens apreendidas durante a investigação revelam o nível de exploração envolvido no esquema. Em uma das comunicações, o médico Salvador Plasencia, que admitiu ter distribuído cetamina a Perry nas semanas anteriores à sua morte, escreveu ao negociar a substância com Mark Chavez, outro médico envolvido na venda ilegal: “Imagino quanto esse idiota está pagando”. Essa troca evidencia a falta de escrúpulos dos envolvidos.
A rede de fornecimento e a tentativa de ocultar provas
As investigações apontam que Sangha forneceu dezenas de frascos de cetamina, com o auxílio do intermediário Erik Fleming. A droga era entregue ao assistente pessoal de Perry, Kenneth Iwamasa, que a administrava ao ator. No dia da morte de Matthew Perry, ele recebeu múltiplas doses da substância, o que, segundo as autoridades, contribuiu para a overdose fatal.
Após tomar conhecimento do ocorrido, Sangha tentou apagar os rastros da operação ilegal. “Apague todas as nossas mensagens”, ordenou ela a Fleming, de acordo com os registros revelados no processo. Essa tentativa de ocultação de provas reforça o envolvimento direto da “Rainha da Cetamina” no caso.
Investigação revela grande quantidade de drogas na casa do ator
Durante as buscas na residência de Matthew Perry, os agentes encontraram uma quantidade significativa de substâncias ilícitas. Foram apreendidas cetamina, metanfetamina, cocaína, ecstasy e outros entorpecentes. Além das drogas, foram encontrados equipamentos típicos de tráfico, como balanças de precisão e máquinas de contar dinheiro, indicando um possível envolvimento do ator em atividades ilícitas.
A morte de Matthew Perry, aos 54 anos, causou grande comoção mundial. O ator lutava há décadas contra a dependência química, um problema que ele mesmo abordou publicamente. O elenco de “Friends”, que havia se reunido em 2021 para celebrar os 20 anos da série, prestou diversas homenagens ao amigo após sua partida.
Tratamento de depressão e dependência fora de controle
Matthew Perry utilizava cetamina em um tratamento supervisionado para depressão. No entanto, segundo os promotores, ele desenvolveu uma dependência da substância e passou a buscá-la fora do controle médico. Essa busca por doses mais altas e frequentes, sem acompanhamento profissional, é apontada como um fator crucial para a overdose fatal.
Em depoimento ao tribunal, familiares do ator descreveram o impacto de sua morte como “irreversível”. Por sua vez, Sangha expressou estar “profundamente envergonhada” e assumiu a responsabilidade por seus atos. Outros envolvidos no esquema também foram sentenciados: o médico Salvador Plasencia recebeu pena de 30 meses de prisão, enquanto Mark Chavez foi sentenciado à prisão domiciliar e serviços comunitários, ambos perdendo suas licenças médicas. Kenneth Iwamasa e Erik Fleming aguardam a definição de suas penas.