Justiça americana condena ex-marido por assassinato encomendado de galerista no Rio de Janeiro
Daniel Garcia Carrera, ex-companheiro do galerista estadunidense Brent Sikkema, foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos nesta quarta-feira (4). Carrera foi considerado culpado pelo planejamento e financiamento do assassinato de Sikkema, que foi morto a facadas em sua residência no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro, em 14 de janeiro de 2024.
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A decisão foi proferida pelo Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. Daniel Garcia Carrera já havia sido considerado culpado em maio deste ano pelos crimes de homicídio por encomenda, conspiração para cometer homicídio por encomenda e conspiração para cometer um assassinato em outro país. Ele permanece detido em Nova York. As investigações indicaram que o crime foi encomendado a Alejandro Triana Prevez, um cidadão cubano que teria recebido dinheiro de Carrera para executar o galerista, conforme informações divulgadas pelo portal g1.
O crime teria sido planejado durante um conturbado processo de divórcio entre Sikkema e Carrera. A Justiça dos Estados Unidos concluiu que o ex-marido não apenas organizou o plano, mas também custeou a execução do galerista. As negociações para o assassinato teriam começado em 2023, com Daniel Garcia Carrera realizando diversas transferências financeiras para Alejandro Triana Prevez e para uma pessoa com quem o cubano mantinha relacionamento em Cuba, utilizando nomes de terceiros para dificultar o rastreamento dos valores.
Detalhes da investigação e motivação
Brent Sikkema, de 75 anos, era uma figura proeminente no mercado de arte de Nova York, fundador da galeria Sikkema Jenkins. Apesar de sua atuação nos EUA, ele passava temporadas em sua propriedade no Rio de Janeiro. O galerista foi encontrado morto com 18 perfurações de arma branca. Câmeras de segurança registraram a entrada e saída de um homem na residência na madrugada do crime, e testemunhas ajudaram a identificar Alejandro Triana Prevez.
Acordo e promessa de pagamento
Em depoimento, Alejandro Triana Prevez afirmou que agiu a mando do ex-marido da vítima e que Daniel Garcia Carrera prometeu a quantia de US$ 200 mil (aproximadamente R$ 1 milhão na cotação atual) para a execução do crime. No entanto, Prevez também relatou ter recebido US$ 9 mil para assassinar Brent Sikkema. Ele revelou que Daniel se queixava do valor da pensão paga pelo galerista e demonstrava preocupação com o novo relacionamento de Brent, o que poderia afetar a divisão de bens no divórcio.
Batalha judicial e inquérito no Brasil
Suspeitas sobre o ex-marido surgiram no início do caso, pois Sikkema e Carrera estavam envolvidos em uma batalha judicial desde o ano anterior, referente ao divórcio e à guarda do filho de 13 anos. Daniel exigia R$ 30 milhões e uma pensão para que o galerista pudesse ver a criança. A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitaram a prisão preventiva de Daniel Garcia Carrera.
Processo no Rio de Janeiro
Inicialmente, o caso era tratado como latrocínio ou roubo seguido de morte, mas Alejandro Triana Prevez declarou não ter subtraído nada da residência de Brent Sikkema. O cubano responderá por homicídio doloso e está preso no Complexo de Bangu, no Rio de Janeiro. Ele será julgado pelo crime em fevereiro de 2027.
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