Por trás das Câmeras: Como a Música Ganha Vida em ‘Dancing With the Stars’ Semana Após Semana
A cada semana, ‘Dancing With the Stars’ (DWTS) apresenta um espetáculo de dança e música que cativa o público. Mas você já se perguntou como toda essa magia sonora é criada em tão pouco tempo? A resposta está no trabalho incansável do diretor musical Ray Chew e sua banda de 14 músicos, que transformam hits populares em trilhas perfeitas para os passos dos competidores.
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O processo é uma verdadeira corrida contra o relógio, envolvendo a desconstrução de músicas, a obtenção de direitos autorais e ensaios intensos, tudo para garantir que cada performance seja única e vibrante. O desafio é ainda maior por se tratar de uma produção ao vivo, onde cada detalhe precisa estar impecável.
Com uma carreira que inclui trabalhos em programas icônicos como ‘Saturday Night Live’ e o Grammy Awards, Ray Chew descreve o DWTS como uma ‘unicórnio’ na televisão ao vivo, especialmente por manter uma banda completa em tempos onde a música ao vivo se torna cada vez mais rara. Conforme divulgado pelo Billboard, o diretor musical compartilhou os detalhes dessa complexa operação.
A Semana Musical: De ‘Desconstruir o Bolo’ à Performance ao Vivo
A rotina de Ray Chew e sua equipe é intensa. A semana de preparação começa na quarta-feira, quando recebem a lista de músicas. A partir daí, o desafio é ‘desconstruir o bolo’, como Chew descreve o processo de analisar cada elemento de uma canção popular para recriá-la de forma que se encaixe perfeitamente na coreografia. Isso inclui identificar o ‘som de assinatura’ da música, os timbres de sintetizador e, crucialmente, a performance vocal.
São necessárias horas para analisar uma única música e, em seguida, dias para criar os novos arranjos. A equipe tem apenas quarta, quinta e sexta-feira para finalizar tudo. No sábado, acontece o ensaio geral com a banda completa, incluindo cantores e músicos, no próprio salão onde o programa é gravado. O objetivo é garantir que todas as 16 músicas estejam corretas e que o som se adapte a diferentes estilos, desde Frank Sinatra até Katy Perry.
Direitos Autorais e Adaptações: Um Desafio Constante
Paralelamente à criação musical, a supervisora musical Nancy Severinsen enfrenta a complexa tarefa de obter os direitos de uso das músicas. Ray Chew explica que o processo de liberação de direitos pode ser demorado e complicado, pois uma única canção pode ter múltiplos compositores e editores. “Você tem que contatar todo mundo, e nem todo mundo está esperando no telefone para ser contatado”, afirma Chew.
Às vezes, essa liberação de direitos só acontece na última hora. Em ocasiões especiais, como a noite temática de ‘Wicked’, a equipe precisou adaptar seus planos originais para atender às exigências dos detentores dos direitos da música. Essa flexibilidade e capacidade de adaptação são essenciais para o sucesso do show.
A Evolução Sonora e o Valor da Música ao Vivo
Desde que Ray Chew assumiu a direção musical há 17 temporadas, o som de ‘Dancing With the Stars’ passou por uma grande transformação. “Quando eu comecei com o programa, ele já estava no ar há 10 anos, então tinha um público muito estabelecido e um som bem clássico de salão”, lembra Chew. A intenção passou a ser contemporizar a música para atrair um público mais jovem e engajado.
Hoje, com o programa sendo transmitido também em serviços de streaming, o processo de produção do dia da gravação não mudou significativamente para a equipe musical. No entanto, durante a pandemia, foi necessário reconfigurar toda a operação para garantir a apresentação do show, com equipes em diferentes locais. A capacidade de manter uma banda ao vivo com 14 músicos é vista como um luxo na televisão atual.
Um Dia na Vida de um Diretor Musical de TV ao Vivo
O dia de performance começa muito antes do amanhecer. Ray Chew precisa acordar às 3:30 da manhã para estar no estúdio às 5 ou 5:30. A banda, composta por 14 músicos e cantores, precisa estar pronta para soar “ao vivo e o melhor possível” desde o início. “Você não pode dizer, ‘bem, estamos acordando e vamos fazer acontecer’. Não, você faz acontecer”, enfatiza Chew.
A partir das 5:30, a equipe ensaia possíveis revisões solicitadas. As equipes de dança chegam às 7h para um bloco de ensaio com câmeras, que dura até o meio-dia. Após o almoço, acontece o ensaio geral, das 13h às 16h30. Finalmente, o programa vai ao ar ao vivo às 17h30. Essa rotina exaustiva garante a qualidade e a energia que o público espera de ‘Dancing With the Stars’.
O Impacto da Música ao Vivo e Reconhecimento Artístico
Chew considera a banda de ‘Dancing With the Stars’ uma “unicórnio” na TV atual, dada a raridade de produções que ainda empregam um número tão grande de músicos ao vivo. Ele ressalta o apreço do público por essa abordagem: “O comentário que mais recebi foi, ‘Nós amamos o que você faz’, porque qualquer um pode tocar uma gravação mestra. Nós trazemos uma vida diferente para a música”.
O diretor musical também compartilhou experiências gratificantes, como a noite dedicada a Janet Jackson. Os produtores do projeto, Jimmy Jam e Terry Lewis, ficaram impressionados com a performance da banda. “Jimmy Jam disse, ‘Ei cara, você fez um ótimo trabalho nisso'”. Esse tipo de reconhecimento valida o esforço e a dedicação da equipe em trazer o melhor da música para o show.
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