Fantástico expõe bastidores da fuga de Flávio Bolsonaro e revela três registros de documentos na Argentina
A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos ganhou novos contornos com a revelação do programa Fantástico sobre sua passagem pela Argentina. Segundo a reportagem, o senador teve três registros de entrada no país vizinho em um intervalo de apenas 34 minutos, utilizando documentos diferentes. Dois desses registros foram posteriormente cancelados, com a entrada principal sendo validada por um passaporte italiano.
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A primeira entrada de Flávio Bolsonaro na Argentina ocorreu às 22h37, com seu passaporte italiano. Poucos minutos depois, às 22h40, um novo registro foi feito, desta vez com sua carteira de motorista. O terceiro e último registro aconteceu às 23h11, utilizando seu passaporte brasileiro. Conforme apurado, os registros com a carteira de motorista e o passaporte brasileiro foram cancelados, mantendo a entrada com o documento italiano como a única válida.
Os detalhes foram divulgados em reportagem exibida neste domingo (1º), que também apontou a participação de um homem descrito como ex-agente da inteligência israelense na operação. A investigação aponta que os registros constavam no cadastro de uma van que transportava Fernanda, esposa de Flávio, e as duas filhas do casal, que teriam se deslocado de Brasília até a fronteira argentina por terra. A empresa de turismo responsável pelo transporte negou ter levado o senador.
Rotas e envolvidos na operação
Apesar dos registros na fronteira terrestre, a principal linha de investigação sugere que Flávio Bolsonaro chegou à Argentina de avião. Ele teria partido de Brasília em um jato particular e pousado em San Fernando, na região de Buenos Aires, antes de seguir para Puerto Iguazú, onde aguardou a família.
A reportagem do Fantástico também identificou uma segunda van que cruzou a fronteira pouco antes do veículo da família. Entre os passageiros estariam o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa de Jair Bolsonaro, e Menachem Booky Halevy, apontado como ex-oficial do serviço de inteligência de Israel.
Repercussão e custos da fuga
A deputada argentina Marcela Pagano declarou que cobrou explicações das autoridades locais sobre a possível irregularidade na passagem de Flávio Bolsonaro pela imigração, a escolta policial e o uso de carros diplomáticos. Por outro lado, o Secretário de Comunicação da Presidência da Argentina informou que o governo não se manifestará sobre o caso.
Recentemente, o empresário argentino Luis Grande, dono da empresa responsável pelo transporte aéreo, revelou que a fuga custou cerca de R$ 815 mil. O valor teria sido transferido de uma conta bancária estadunidense, possivelmente a pedido de Jason Miller, assessor de Donald Trump.
Posicionamentos de Flávio Bolsonaro e Donald Trump
Antes da exibição da reportagem, Flávio Bolsonaro se manifestou nas redes sociais, justificando sua ausência em entrevista ao Fantástico. Ele alegou que a emissora não aceitou exibir sua participação na íntegra e sem cortes, o que, segundo ele, o impediu de exercer o direito de resposta.
O ex-presidente Donald Trump comentou a chegada de Bolsonaro aos Estados Unidos, reiterando dúvidas sobre o resultado das eleições brasileiras, sem apresentar provas. Ele afirmou que a entrada de Flávio no país foi autorizada, mas que não se envolveria mais no assunto.
Contexto da saída do país
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos após ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele não cumpriu a ordem a tempo, e seus documentos foram suspensos. O senador contestou a decisão, negando planos de deixar o país e classificando a medida como uma tentativa de intimidação.
O parlamentar é investigado em dois inquéritos no STF, um sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e outro sobre o financiamento de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio nega as irregularidades em ambos os casos.
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