Voluntário relata momentos de desespero ao tentar salvar triatleta brasileira Mara Flávia no Ironman Texas
Um voluntário norte-americano, de 52 anos, compartilhou em redes sociais os angustiantes momentos vividos durante a tentativa de resgate da triatleta brasileira Mara Flávia Araújo, de 38 anos, que submergiu no Lago Woodlands, no Texas, durante a etapa de natação do Ironman Texas no último sábado (18). O corpo da atleta foi localizado a três metros de profundidade.
Shawn McDonald, que participou ativamente das buscas, decidiu se pronunciar para oferecer algum conforto à família de Mara Flávia, garantindo que, mesmo sem conhecê-la, muitas pessoas se esforçaram ao máximo para salvá-la. Ele estava no local com sua filha de 12 anos, oferecendo suporte em uma prancha de stand-up paddle.
Em um post no Facebook, McDonald descreveu o momento em que os alarmes foram acionados, com voluntários em um caiaque alertando sobre a situação crítica. Ele relatou ter ouvido que a brasileira havia afundado e, sem hesitar, mergulhou na água turva em busca da atleta. Conforme informações divulgadas pela CBS News, a visibilidade no Lago Woodlands era extremamente baixa, dificultando as operações de resgate.
O pânico e a busca incessante
O voluntário descreveu o pânico nos rostos dos atletas que testemunharam a cena e a sensação de impotência. Ele contou ter mergulhado repetidamente, sentindo o corpo de Mara Flávia sob a água e lutando contra a correnteza e a baixa visibilidade. Ao seu lado, outro jovem voluntário também participava das buscas submersas.
McDonald relatou ter sentido o corpo da brasileira com o pé após cerca de um minuto debaixo d’água. Ele subiu para respirar e mergulhou novamente, mas a atleta havia desaparecido. A busca se estendeu por mais de uma hora, com o voluntário perdendo a conta de quantas vezes mergulhou, impulsionado pela esperança de encontrá-la viva. A chegada de um barco com sonar auxiliou na localização do corpo.
Um pedido de desculpas e um legado de esforço
Em sua mensagem, Shawn McDonald pediu desculpas à família de Mara Flávia, expressando profundo pesar por seus esforços não terem sido suficientes para salvá-la. Ele ressaltou que fizeram tudo o que podiam e que a atleta brasileira, que era o mundo de alguém, ficará em sua memória.
A organização do Ironman também lamentou o ocorrido e prestou condolências à família e amigos da atleta, oferecendo todo o apoio necessário. A nota oficial destacou a rápida ação das equipes de primeiros socorros. A irmã de Mara, Melissa Araújo, informou ao g1 que a atleta já participava de provas de triatlo há cerca de 10 anos.
Baixa visibilidade e histórico de incidentes
As autoridades locais, incluindo o Gabinete do Xerife do Condado de Montgomery e o Corpo de Bombeiros de The Woodlands, explicaram que a **baixa visibilidade** da água foi um fator crucial que dificultou as operações de resgate. O Lago Woodlands, apesar de ocasionalmente liberado para eventos especiais, normalmente não permite a natação devido à sua visibilidade nula.
Este não é o primeiro incidente fatal na competição. Em 2017, o triatleta Glen Bruemmer, de 54 anos, também faleceu durante a etapa de natação no mesmo lago. O Ironman Texas é uma prova de longa distância, com mais de 220 km, considerada uma das mais tradicionais do triatlo mundial.