CGU e PF Investigam Esquema que Pode Ter Desviado R$ 144 Milhões de Investimentos na Amazônia
Um esquema suspeito de desvio de R$ 144 milhões, que deveriam impulsionar startups e projetos de desenvolvimento econômico na Amazônia, está sob investigação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF). Os recursos em questão são provenientes de contrapartidas legais exigidas de empresas que buscam incentivos fiscais na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
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As apurações, que culminaram na deflagração da Operação Cruciatus, foram iniciadas após auditorias da CGU identificarem indícios de irregularidades na aplicação desses valores. A suspeita principal é que parte significativa desses fundos, destinados à Amazônia Ocidental e ao Amapá, tenha sido direcionada para outras regiões do país, contrariando o objetivo de fomento local.
“Os recursos supostamente desviados deveriam ter sido aplicados na região da AMOC/AP (Amazônia Ocidental e no Amapá), a fim de impulsionar pequenas empresas de base tecnológica da região, viabilizando o desenvolvimento sustentável”, informou a Polícia Federal em comunicado oficial. A investigação avança para determinar a extensão das fraudes e os responsáveis pelo possível desvio.
Irregularidades na Aplicação dos Recursos e Estrutura das Empresas Investidas
Auditores da CGU também levantaram suspeitas sobre a estrutura operacional de empresas que receberam os investimentos. Foi constatado que algumas delas não possuíam capacidade compatível com os vultosos montantes recebidos, o que gerou dúvidas sobre a efetiva aplicação dos recursos nos objetivos previstos pela política pública de desenvolvimento regional.
A falta de estrutura adequada levanta um sinal vermelho, pois o objetivo principal desses investimentos é justamente fortalecer o ecossistema de inovação e a economia local na Amazônia. A investigação busca esclarecer se houve falha na fiscalização ou conluio para desviar os fundos.
Conflitos de Interesse e Mecanismos de Ocultação Investigados
A investigação apura ainda possíveis conflitos de interesse entre os envolvidos no sistema de investimentos. Indícios apontam para aplicações em empresas que compartilham sócios com as próprias investidoras, além de operações realizadas por meio de pessoas jurídicas interpostas. Este último é um mecanismo frequentemente utilizado para ocultar os verdadeiros controladores de negócios.
A triangulação de investimentos também é um ponto sob escrutínio. Esse método pode permitir que os recursos retornem ao investidor original sem que os benefícios esperados para as regiões de destino se concretizem. Ao todo, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em São Paulo e bloqueados R$ 144 milhões dos envolvidos.
Penalidades e o Papel da Zona Franca de Manaus
Os investigados poderão responder por crimes contra o sistema financeiro nacional, crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro. As investigações continuam em andamento, com o objetivo de apurar a extensão das irregularidades e identificar outros possíveis agentes envolvidos no esquema.
A Zona Franca de Manaus, criada para impulsionar o desenvolvimento econômico da Região Norte, é administrada pela Suframa e oferece incentivos fiscais para atrair indústrias, gerar empregos e estimular investimentos na Amazônia Ocidental (Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima) e no Amapá. Os benefícios incluem isenções e reduções de impostos federais, como Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS e Cofins, além de possíveis incentivos relacionados ao IRPJ e ICMS.
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