Velejadora Tamara Klink pede desculpas após polêmica declaração sobre venda de seu livro
A velejadora e escritora Tamara Klink veio a público neste domingo (9) para se retratar após um vídeo em que pedia aos leitores que não comprassem seu livro “Bom Dia, Inverno”. A autora admitiu ter cometido um erro ao não considerar o impacto de sua declaração na cadeia produtiva do mercado editorial. O livro, publicado pela Companhia das Letras, tem se mantido entre os mais vendidos do país.
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Em sua manifestação, publicada em suas redes sociais, Tamara Klink expressou pesar pela repercussão de sua atitude e agradeceu a todos que se dispuseram a defender o universo dos livros. Ela reconheceu que sua visão inicial foi limitada e que não levou em conta a importância de autores, editoras, livrarias e outros elos essenciais para a disseminação da leitura.
“Daqui do mar, soube da dimensão que o vídeo dos livros tomou e sinto muito. Obrigada a todos que se dispuseram a escrever. Errei em não ver outros pontos de vista. Precisamos da leitura. Precisamos de autores, pequenos, grandes e independentes. Sou leitora antes de ser autora e não levei em conta toda a cadeia que alimenta as editoras. Agradeço a cada um que faz a leitura ir mais longe do que a prateleira”, escreveu a autora.
Tamara Klink reconhece múltiplas perspectivas sobre o mercado editorial
A escritora detalhou que, nos últimos dias, pôde observar e compreender outras visões sobre a questão. Ela mencionou o apoio recebido de diversas frentes, incluindo a defesa dos livros, das editoras, dos autores, das vendas, das bibliotecas, das livrarias, dos sebos, das anotações, dos acervos familiares e da preocupação ambiental relacionada à produção de livros.
Tamara Klink também destacou a importância do acesso à literatura e o trabalho de todos os profissionais que se dedicam a levar os livros até os leitores. A retratação buscou reafirmar seu amor pela leitura e seu respeito por toda a comunidade que a viabiliza, agradecendo o empenho em garantir que os livros continuem a circular e a alcançar pessoas em todos os lugares.
O contexto da declaração inicial de Tamara Klink
A polêmica se iniciou após a divulgação de um vídeo em que Tamara Klink solicitava que os leitores evitassem a compra de novas cópias de “Bom Dia, Inverno”. O livro, que relata sua experiência de oito meses isolada em um veleiro no Ártico, figura entre os mais vendidos e ocupa boas posições em plataformas como a Amazon.
Na ocasião, a autora justificou seu pedido com base em preocupações ambientais, argumentando que a produção de livros físicos demanda papel e energia. Ela sugeriu que a circulação das obras existentes, por meio de empréstimos e doações, seria uma alternativa mais sustentável. Tamara Klink chegou a expressar que era triste ver um livro em uma biblioteca ser lido poucas vezes, considerando o desperdício de recursos naturais.
Críticas e repercussão da fala da escritora
A declaração de Tamara Klink gerou reações negativas de jornalistas e outros escritores, que apontaram que sua fala poderia desconsiderar as dificuldades enfrentadas pelo mercado editorial e pelos profissionais que dependem das vendas para seu sustento. A comunidade literária expressou preocupação com o potencial impacto de tais mensagens na economia do setor.
“Bom Dia, Inverno” foi lançado em maio deste ano e narra a jornada de Tamara Klink durante sua expedição ao Ártico, entre outubro de 2023 e maio de 2024, onde permaneceu isolada em um veleiro em meio ao gelo da Groenlândia, com comunicação mínima com o mundo exterior.
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