Caminhoneiros em Alerta: Greve Nacional Pode Começar Nesta Quinta (19) Após Reunião Sem Consenso; Governo Tenta Evitar Caos
A possibilidade de uma greve nacional dos caminhoneiros paira no ar, com a decisão final adiada para esta quinta-feira (19). Entidades que representam a categoria em todo o Brasil se reuniram para definir os próximos passos, mas o encontro terminou sem um consenso claro, deixando o país em suspense quanto a uma nova paralisação.
Os caminhoneiros autônomos expressam insatisfação com a defasagem dos fretes e o alto custo do diesel, fatores que, segundo eles, tornam a atividade inviável. A ameaça de greve ganha força em meio a um cenário de instabilidade nos preços dos combustíveis e tensões com empresas transportadoras.
O governo federal, ciente do impacto de uma paralisação em 2018, tem buscado ativamente desmobilizar o movimento. Medidas de fiscalização mais rigorosas e anúncios de auxílio ao diesel foram apresentados, mas a categoria ainda demonstra desconfiança. As informações são de que uma assembleia geral está marcada para esta quinta-feira (19) em Santos (SP) para a decisão final. Conforme informações divulgadas pelo Sindicam e outras entidades, o desfecho da reunião pode definir o futuro do transporte de cargas no país.
Piso do Frete e Preço do Diesel: Os Principais Pontos de Tensão
A contratação de fretes por valores abaixo do piso estabelecido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é uma das principais queixas da categoria. Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), destaca que essa prática força os trabalhadores a arcarem com o aumento dos custos dos combustíveis, algo que, segundo ele, “o transportador não pode absorver”.
O recente aumento no preço do diesel, impulsionado pela cotação internacional do petróleo após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, agravou a situação. Dados do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) indicam que, na comparação entre o final de fevereiro e o início de março, o diesel S-10 subiu 7,72% e o diesel comum avançou 6,10%. No Piauí, a alta chegou a 17,45%.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) chegou a solicitar à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) o acompanhamento e fiscalização de possíveis práticas especulativas no preço do óleo diesel, apontando elevações mesmo sem reajustes oficiais da Petrobras.
Governo Intensifica Esforços para Evitar Paralisação
Em um esforço para evitar a repetição do cenário de 2018, quando a greve dos caminhoneiros paralisou o país e gerou desabastecimento, o governo federal tem adotado diversas medidas. O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou o endurecimento da fiscalização e penalização de empresas que descumprem o piso do frete rodoviário, com a possibilidade de impedimento de contratação do transporte.
Medidas anteriores já incluíam a isenção de PIS e Cofins do diesel e a criação de um subsídio para produtores e importadores. O governo também planeja elevar o imposto de exportação sobre o petróleo para aumentar a oferta interna. A ANTT já havia atualizado os valores dos pisos do frete rodoviário na semana passada, com reajustes médios entre 4,82% e 7%.
A Polícia Federal também abriu inquérito para investigar suspeitas de aumento abusivo nos preços dos combustíveis, com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Césa r Lima e Silva, afirmando que “é inaceitável que o falso impacto da guerra justifique aumento de preços”. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acusou empresários do setor de “especulação”, aproveitando o clima tenso para prejudicar a economia popular.
Sindicatos de Santa Catarina e ANTC Anunciam Adesão à Greve
Enquanto o governo tenta negociar, alguns sindicatos já sinalizaram com a adesão à greve. O Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes e Região (Sinditac), de Santa Catarina, anunciou que cruzará os braços a partir desta quinta-feira (19). Outro grupo que confirmou adesão foi a Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC), que emitiu um comunicado afirmando que “chegou o momento de dar uma resposta firme” diante da “situação insustentável”.
A ANTC pede que caminhoneiros autônomos e profissionais deixem de carregar seus caminhões a partir do meio-dia desta quinta. A categoria relembra os impactos da greve de 2018, que durou 10 dias e causou desabastecimento de combustíveis, alimentos, interrupção na produção industrial e prejuízos ao agronegócio, pressionando o governo a atender às reivindicações por meio de subsídio ao diesel, revisão na política de preços e criação da tabela mínima de frete.