Janaina Paschoal ataca “Lei Rouanet Municipal” de SP por proibir cultura religiosa em leis de incentivo

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GERADO EM: 18/03/2026 - 22:23
Janaina Paschoal ataca “Lei Rouanet Municipal” de SP por proibir cultura religiosa em leis de incentivo
Janaina Paschoal contesta decreto da cultura em São Paulo, que proíbe financiamento de projetos religiosos, gerando polêmica A vereadora Janaina Paschoal (PP) apresentou um projeto de decreto legislativo com o objetivo de suspender partes do decreto que regulamenta o Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (Promac), conhecido como a “Lei Rouanet municipal” de São Paulo. O programa, que para este ano prevê um orçamento de R$ 30,79 milhões, está no centro de um debate sobre a liberdade cu...
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Janaina Paschoal contesta decreto da cultura em São Paulo, que proíbe financiamento de projetos religiosos, gerando polêmica A vereadora Janaina Paschoal (PP) apresentou um projeto de decreto legislativo com o objetivo de suspender partes do decreto que regulamenta o Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (Promac), conhecido como a “Lei Rouanet municipal” de São Paulo. O programa, que para este ano prevê um orçamento de R$ 30,79 milhões, está no centro de um debate sobre a liberdade cu...

Janaina Paschoal contesta decreto da cultura em São Paulo, que proíbe financiamento de projetos religiosos, gerando polêmica

A vereadora Janaina Paschoal (PP) apresentou um projeto de decreto legislativo com o objetivo de suspender partes do decreto que regulamenta o Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (Promac), conhecido como a “Lei Rouanet municipal” de São Paulo. O programa, que para este ano prevê um orçamento de R$ 30,79 milhões, está no centro de um debate sobre a liberdade cultural e a laicidade do Estado.

Inicialmente, a proposta da vereadora visava contestar dois pontos do Decreto Municipal n° 62.159/2023: a vedação ao financiamento de projetos de cunho religioso e a destinação específica de recursos para a periferia. Contudo, após um veto na Comissão de Constituição, Justiça e Legislativa Participativa da Câmara de Vereadores, apenas o trecho referente à proibição de fomento a manifestações religiosas permaneceu em discussão.

Segundo Paschoal, a proibição de financiamento de obras religiosas é “flagrantemente inconstitucional” e representa uma confusão entre os conceitos de Estado laico e Estado ateu. A vereadora criticou a medida, considerando-a mais restritiva do que normativas federais, mesmo com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) tendo sido eleito com apoio de diversos grupos religiosos. A proposta, que chegou a ser pauta de votação, teve seu trâmite adiado a pedido do líder do governo na Câmara. Conforme apurado pela Gazeta do Povo, a prefeitura de São Paulo não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta matéria.

Questionamentos sobre a destinação de verbas e a cultura periférica

O projeto de Janaina Paschoal também abordava o artigo 30 do decreto, que destina 35% dos recursos do Promac para projetos de proponentes sediados na periferia e outros 35% para atividades realizadas nessas regiões. A vereadora levantou dúvidas sobre a definição de “periferia” e a garantia de que os recursos seriam efetivamente aplicados nas áreas indicadas.

Paschoal argumentava que o acesso aos programas culturais muitas vezes depende de uma estrutura que favorece regiões centrais, dificultando a participação de moradores de áreas periféricas. Ela sugeriu, por exemplo, a reserva de ingressos para estudantes da rede pública e moradores da periferia, questionando a restrição de menos de um terço da verba para atividades culturais no centro da cidade.

Oposição e articulação política na Câmara

Durante a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a vereadora Silvia Ferraro, da Bancada Feminista (PSOL), se opôs à visão de Paschoal, defendendo a valorização da cultura periférica. Ferraro classificou a postura de Paschoal como “elitista” e defendeu a priorização de projetos culturais nas periferias, mas também se mostrou contrária à vedação de financiamento a templos religiosos e entidades privadas. Na votação da comissão, o trecho sobre a distribuição de recursos entre centro e periferia foi derrubado.

Contexto mais amplo e a Frente Parlamentar Artistas Livres

A iniciativa de Janaina Paschoal se insere em um movimento mais amplo de discussão sobre a política cultural em São Paulo. Em 2025, a vereadora fundou a Frente Parlamentar Artistas Livres, após receber críticas de artistas sobre os critérios de seleção e a programação cultural em equipamentos como o Theatro Municipal de São Paulo. O grupo, presidido pelo vereador Adrilles Jorge (União), busca combater o que seus membros chamam de “censura ideológica” na cultura.

O Promac e sua semelhança com a Lei Rouanet

O Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (Promac) foi criado em 2013 e regulamentado em fevereiro de 2023. Semelhante à Lei Rouanet federal, o Promac permite que pessoas físicas e empresas destinem parte de seus impostos, como IPTU e ISS, para financiar projetos culturais aprovados pela Secretaria Municipal de Cultura. Em 2025, a prefeitura de São Paulo registrou 518 contratos de incentivo cultural, representando um aumento de 8% em relação ao ano anterior, com um investimento total de R$ 30,8 milhões.

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