Macapá enfrenta grave crise de saneamento básico, revelam dados nacionais
O cenário do saneamento básico no Brasil apresenta desafios alarmantes, e Macapá, a capital do Amapá, figura entre as cidades com os piores indicadores do país. Um levantamento recente, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, lança luz sobre a realidade preocupante da infraestrutura hídrica e de esgoto na cidade.
O estudo, intitulado Ranking do Saneamento 2026, aponta que apenas uma parcela ínfima da população de Macapá tem acesso à coleta de esgoto. Este dado é um forte indicativo das deficiências estruturais que afetam a saúde pública e o meio ambiente na região.
A situação de Macapá é um reflexo de problemas mais amplos que assolam diversas capitais brasileiras, demandando atenção urgente e investimentos significativos para reverter o quadro atual e garantir o direito básico ao saneamento para todos os cidadãos. Conforme informação divulgada pelo Instituto Trata Brasil nesta quarta-feira (18), apenas 14,94% da população de Macapá tem acesso à coleta de esgoto.
Coleta e Tratamento de Esgoto: Um Longo Caminho a Percorrer
Os números apresentados pelo Ranking do Saneamento 2026 são contundentes ao demonstrar a **baixa cobertura de coleta de esgoto em Macapá**. O índice de 14,94% contrasta drasticamente com capitais como Goiânia, São Paulo e Curitiba, que registram mais de 90% de atendimento. Essa disparidade evidencia um gargalo significativo na infraestrutura da capital amapaense.
Além da coleta, o tratamento do esgoto coletado também se mostra um desafio. Macapá está longe de figurar entre as capitais que tratam ao menos 80% do material. O estudo aponta que cidades da região Norte e Nordeste, como Porto Velho, São Luís e Teresina, tratam menos de 20% do esgoto coletado, um cenário que exige a busca por soluções inovadoras e eficientes.
Perdas de Água: Um Desperdício Preocupante
Outro ponto crítico abordado pelo levantamento são as **perdas de água na distribuição**. Apenas um pequeno grupo de capitais brasileiras, incluindo Goiânia, Teresina, Campo Grande e São Paulo, conseguiu manter índices abaixo de 25% de perdas. Em Macapá, as perdas são elevadas, o que significa que uma quantidade considerável de água tratada não chega efetivamente às residências da população.
Esse desperdício de água tratada representa não apenas um prejuízo financeiro, mas também um impacto direto na disponibilidade do recurso hídrico para o consumo, especialmente em uma região com desafios climáticos próprios. A **redução das perdas de água** é, portanto, uma meta urgente para a gestão do saneamento em Macapá.
Macapá entre os Piores Municípios do País em Saneamento
O Ranking do Saneamento 2026 não se limita a capitais, e Macapá aparece na lista dos **20 piores municípios do país em indicadores de saneamento**. A presença de diversas cidades do Rio de Janeiro, Pará e Pernambuco, além de outras quatro da região Norte, três do Nordeste, uma do Centro-Oeste e uma do Sul, demonstra a abrangência do problema em território nacional.
É importante notar que sete capitais estaduais compõem a lista dos 20 piores colocados: Maceió (AL), Manaus (AM), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO). Essa constatação reforça que os problemas de saneamento não se restringem a pequenas localidades, mas atingem diretamente grandes centros urbanos e afetam milhões de brasileiros.
Investimentos Urgentes e Compromisso da Concessionária
O Instituto Trata Brasil enfatiza a necessidade premente de **investimentos estruturais em saneamento básico em Macapá**. A ampliação do acesso à coleta e tratamento de esgoto, bem como a redução do desperdício de água, são passos fundamentais para a melhoria da qualidade de vida na capital amapaense.
Em resposta ao ranking, a Concessionária de Saneamento do Amapá (CSA) informou que buscará ampliar e melhorar o atendimento à população. A empresa afirma que já dobrou a cobertura de água tratada no Amapá, de 36% para 72%, com nove municípios já universalizados, e que investiu mais de R$ 1,4 bilhão desde o início de suas operações. A CSA também ressalta que os dados do ranking incluem comunidades rurais, que não são de sua responsabilidade contratual, e reafirma seu compromisso com a melhoria contínua dos serviços de água e esgoto no estado.