Pablo Marçal fatura com política mesmo inelegível: curso promete ensinar a vencer eleições e mira R$ 50 milhões em 2026
O empresário Pablo Marçal, recentemente declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, encontrou uma nova forma de se manter ativo no cenário político e, ao mesmo tempo, gerar lucros expressivos. Enquanto aguarda decisões judiciais sobre seus recursos, Marçal lançou a Unipoli — Universidade de Política —, em parceria com Filipe Sabará, ex-coordenador de sua campanha e ex-secretário municipal. O projeto inclui um braço comercial ambicioso, a “Máquina de votos”, com a meta de faturar R$ 50 milhões em 2026.
A estratégia se baseia no desempenho de Marçal na eleição para a prefeitura de São Paulo em 2024. Mesmo sem estrutura partidária robusta e apoio do establishment, ele obteve um resultado surpreendente, ficando em terceiro lugar, a uma pequena margem do segundo turno. Esse feito evidenciou o poder do marketing digital na política brasileira, embora a campanha também tenha sido marcada por polêmicas.
O modelo de negócio da Unipoli, conforme divulgado pela Gazeta do Povo, oferece desde cursos básicos de política até consultorias milionárias para campanhas eleitorais. A iniciativa visa capacitar tanto o eleitorado quanto futuros candidatos, explorando a lacuna de conhecimento sobre o funcionamento das instituições públicas. A iniciativa, segundo Sabará, busca preencher uma necessidade urgente de formação política básica no país.
Unipoli: Produtos que Vão do Básico ao Pacote Completo de Campanha
A oferta de produtos da Unipoli abrange diferentes nichos e preços. O curso de Política Básica, custando R$ 497, aborda o funcionamento de câmaras, assembleias e o Congresso, além de conceitos ideológicos. Já o curso online “Máquina de Votos”, voltado para candidatos e equipes, custa R$ 10 mil e ensina técnicas de marketing digital, uso de inteligência artificial e estratégias de tráfego pago.
Para campanhas mais estruturadas, a Unipoli oferece consultorias com preços que variam de R$ 1,5 milhão para deputados estaduais até R$ 5 milhões para governadores. A gestão integral de campanhas digitais pode chegar a R$ 10 milhões para governadores. A empresa já conta com clientes nessa modalidade, cujos nomes são mantidos em sigilo.
Curso “Máquina de Votos” Foca em Candidatos Sem Estrutura Partidária
O curso de R$ 10 mil é considerado o carro-chefe em volume, direcionado a candidatos que não possuem acesso a fundos eleitorais robustos ou apoio partidário significativo. A proposta é que o investimento em conhecimento prático com a equipe que assessorou Marçal seja vantajoso diante dos custos de uma campanha.
A meta é atingir 20 mil candidatos potenciais e converter pelo menos 200 em clientes pagantes, o que geraria R$ 2 milhões em receita apenas com este curso. Sabará relata que a plataforma recebe entre 300 a 500 leads qualificados por semana, indicando um forte interesse no mercado.
Abordagem Polêmica e Viés Ideológico da Plataforma
Embora Filipe Sabará negue que o curso ensine o estilo polêmico de Pablo Marçal, o conteúdo sugere estratégias que podem beirar a controvérsia. Orientações incluem o uso de vídeos emocionais para “causar mais disruptura” e a exploração de temas polêmicos locais, como denúncias de corrupção. “Se os criativos que performarem mais forem os mais polêmicos, falamos para focar na polêmica”, afirma Sabará.
A plataforma também demonstra um claro viés ideológico. Aulas sobre figuras como Karl Marx e Antonio Gramsci são apresentadas com uma crítica explícita, e há conteúdos que abordam a “desconstrução do Ocidente” e o “ataque à família”. Sabará admite que a maioria dos clientes já é de direita e que a expectativa é que o curso os “converte à direita”.
Além do mercado eleitoral, a Unipoli negocia com empresas privadas para oferecer cursos de formação política a funcionários, argumentando que o desconhecimento sobre o Estado pode impactar negativamente negócios que dependem de licenças e relações com o poder público. Pablo Marçal não retornou contatos para comentar o assunto.