PF Desarticula Esquema de Lavagem de Dinheiro com Envolvimento de MC Ryan SP e Outros Nomes do Funk
A Polícia Federal deflagrou a “Operação Narco Fluxo” nesta quarta-feira (15), prendendo Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, um dos principais nomes do funk nacional. Segundo as investigações, o cantor seria o líder e principal beneficiário de uma organização criminosa suspeita de lavar cerca de R$ 260 bilhões.
O esquema teria utilizado empresas de produção musical e entretenimento para misturar receitas legítimas com fundos provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. A PF aponta que MC Ryan SP utilizava mecanismos de blindagem patrimonial, como a transferência de participações societárias para familiares e “laranjas”, para distanciar o dinheiro de sua pessoa física.
Conforme informações da CNN Brasil, o dinheiro ilícito era convertido em bens de luxo, como imóveis de alto padrão, veículos e joias. A operação também revelou possíveis conexões do esquema com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e a prisão de outros artistas, como MC Poze do Rodo.
MC Ryan SP como Centro do Esquema de Lavagem
A Polícia Federal identificou MC Ryan SP como o **líder da organização criminosa** responsável por movimentar aproximadamente R$ 1,6 bilhão. As investigações indicam que ele era o **principal beneficiário econômico** do grupo, utilizando suas empresas, como a MC Ryan SP Produção Artística Ltda e a Ryan SP – Holding Patrimonial Ltda, para **mascarar a origem dos recursos**.
O cantor teria empregado sofisticados métodos de **blindagem patrimonial**, transferindo bens e participações societárias para terceiros, a fim de ocultar sua ligação direta com o capital ilícito. Esse dinheiro, segundo a PF, provinha de atividades como apostas ilegais e rifas digitais, sendo posteriormente transformado em ativos de luxo.
Outros Envolvidos e Mecanismos do Crime
Além de MC Ryan SP, a “Operação Narco Fluxo” identificou outros personagens-chave. Rodrigo Morgado, que se autointitula “contador”, seria o **principal operador da estrutura financeira**, sendo preso na “Operação Narco Bet”. Raphael Sousa Oliveira, dono da página “Choquei”, é apontado como o **operador de mídia**, responsável pela divulgação de conteúdos e plataformas de apostas, recebendo cerca de R$ 400 mil mensais por essa atividade.
O esquema operava sob um **”escudo de conformidade”**, utilizando a projeção artística e o alto engajamento dos envolvidos para **naturalizar as transações financeiras**. Essa fachada era essencial para disfarçar os recursos provenientes de atividades criminosas, incluindo possível tráfico de drogas.
Conexões com o Crime Organizado e Abrangência da Operação
As investigações da Polícia Federal também levantaram **indícios de uma possível conexão do esquema com o PCC**, a maior facção criminosa do país. Há suspeitas de que Frank Magrini, um possível operador financeiro, teria financiado o início da carreira de MC Ryan SP em 2014, com pagamentos sistemáticos relacionados a locais comerciais do grupo.
A “Operação Narco Fluxo” cumpriu 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em diversos estados brasileiros. Foram realizados bloqueios patrimoniais e sequestro de bens, totalizando cerca de R$ 20 milhões em apreensões. A prisão de MC Ryan SP ocorreu durante uma festa em Bertioga, litoral paulista.
Prisões e Defesas dos Artistas
MC Poze do Rodo também foi preso durante a operação em sua residência no Rio de Janeiro. Seus representantes declararam desconhecer os detalhes do mandado de prisão e que se manifestarão na Justiça após terem acesso aos autos. A defesa de MC Ryan SP, por sua vez, afirmou que ainda não teve acesso ao procedimento sigiloso, impossibilitando uma manifestação específica sobre os fatos.