Mãe relata o profundo impacto do estupro coletivo na vida do filho e da família
A mãe de uma das crianças vítimas de um terrível estupro coletivo ocorrido na Zona Leste de São Paulo compartilhou seu sofrimento em um depoimento emocionante à TV Globo. O crime, que chocou o país, deixou marcas indeléveis na vida do seu filho de 10 anos e de toda a família. Cinco suspeitos, sendo um homem de 21 anos e quatro adolescentes entre 14 e 16 anos, foram identificados e detidos pela polícia.
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“Teve a justiça, não do jeito que eu queria, mas teve. Isso não vai sair da cabeça do meu filho, não tão cedo”, declarou a mãe, com a voz embargada. A divulgação de vídeos do abuso, segundo ela, agravou ainda mais o trauma. Para proteger a identidade das vítimas, a entrevista foi feita com o rosto da mãe oculto.
O depoimento revela a mudança drástica no comportamento do menino. “Ele ficou mais quieto, né? Ele era um pouco mais falante dentro de casa. Ele fica um pouco mais quieto. Ele tem medo dos outros, lá onde a gente está, descobrir. Porque é chato comentar alguma coisa”, confessou a mãe. Apesar da dor imensa, ela expressa um alívio pelas prisões. “Eu tô me sentindo aliviada pelas prisões, né, porque eles vão pagar pelo que eles fizeram. E, agora, vou entregar nas mãos de Deus”, disse.
A dinâmica cruel para atrair as vítimas
As investigações apontam que os criminosos usaram táticas ardilosas para atrair as crianças. Conforme informações da polícia, além do convite para empinar pipa, uma das vítimas foi chamada para tomar banho antes do ataque. Essa informação foi crucial para que os investigadores compreendessem a dinâmica empregada pelos suspeitos para se aproximar e coagir as crianças.
O papel do adulto e a gravação dos crimes
Alessandro Martins dos Santos, 21 anos, é o único adulto envolvido no crime e é apontado como o responsável por gravar e divulgar os vídeos do estupro coletivo. Ele foi preso em Brejões, na Bahia, e levado para o 63º Distrito Policial, na Zona Leste de São Paulo, onde o caso está sendo apurado. A polícia trabalha para entender a extensão da divulgação das imagens, que se espalharam rapidamente por redes sociais e aplicativos de mensagens, configurando um novo crime.
A denúncia tardia e o medo de represálias
O caso veio à tona apenas em 24 de abril, três dias após o crime, quando a irmã de uma das vítimas reconheceu o irmão em imagens que circulavam online. Ela procurou a delegacia para registrar a denúncia. A polícia relatou que, devido às ameaças sofridas, algumas famílias chegaram a deixar suas comunidades às pressas. “Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Foi uma dificuldade encontrar essas vítimas. Elas vieram à delegacia, foram ouvidas e as crianças submetidas a exames”, explicou a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk.
Investigação em andamento para punir todos os envolvidos
O delegado Júlio Geraldo destacou que a prioridade inicial era identificar os agressores. Agora, o foco se volta para identificar e responsabilizar todos que divulgaram as imagens chocantes. A investigação busca não apenas a punição dos autores diretos do estupro coletivo, mas também de quem contribuiu para a disseminação do material, aumentando o sofrimento das vítimas e de suas famílias.
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