Primavera Sound 2026: Uma Celebração Musical Marcada por Chuva, Reviravoltas e Performances Lendárias
A 24ª edição do Primavera Sound em Barcelona, que celebra um quarto de século desde sua modesta estreia em 2001, aconteceu nesta semana. Embora alguns artistas como Wet Leg tenham dado o pontapé inicial na quarta-feira, 3 de junho, e outros, como o lendário DJ Carl Cox, encerrem o festival no domingo, 7 de junho, o auge do evento ocorreu entre 4 e 6 de junho. Três dias de artistas globais e de diversos gêneros proporcionaram uma das experiências de festival mais ricas da atualidade.
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Infelizmente, o primeiro dia principal foi amplamente afetado por chuvas torrenciais que começaram no início da noite e duraram até a manhã seguinte. As condições climáticas resultaram em lama e grande confusão, com falhas na comunicação entre organizadores e público. Quase todos os palcos tiveram suas atividades suspensas temporariamente, e os headliners da noite, Massive Attack, Doja Cat e Bad Gyal, tiveram seus shows cancelados. Apesar disso, o festival se recuperou com dias de sexta e sábado mais secos e menos dramáticos, mantendo a variedade e a alta qualidade artística que o consagram.
A sexta-feira contou com shows de Addison Rae, The Cure e Skrillex, enquanto no sábado, My Bloody Valentine, The xx e Gorillaz fecharam as principais atenções. Um destaque especial foi a pop star Olivia Rodrigo, que com um set surpresa de 11 músicas, ajudou a apagar qualquer memória da decepção de quinta-feira. Conforme divulgado pelas fontes do evento, o Primavera Sound Barcelona 2026 proporcionou momentos memoráveis, mostrando a resiliência e a magia dos festivais de música.
A Energia Contagiante de Aiko el Grupo e Las Petunias
Os primeiros a pisar nos palcos principais, tanto na quinta quanto na sexta-feira, foram duas excelentes bandas de rock de Madri, ambas com formações exclusivamente femininas e vocais triplos. **Aiko el Grupo** encantou no palco Estrella Damm na quinta-feira, enquanto **Las Petunias** brilhou no menor palco Port na sexta-feira. Ambas eletrizaram o público com refrões marcantes, energia contagiante e a alegria inconfundível de grupos em ascensão, gratos por estarem ali com amigos, familiares e fãs.
Dev Hynes e a Surpreendente Homenagem a The Smiths
O cantor e compositor britânico-americano Dev Hynes, sob o nome artístico Blood Orange, foi uma das atrações de fim de tarde no palco Revolut na sexta-feira. Trazendo um catálogo de 15 anos de alt-R&B, Hynes provou ser também um guitarrista subestimado com solos incríveis. No entanto, o momento mais marcante de seu show foi a abertura, quando ele interpretou o clássico de 1985 de The Smiths, “How Soon Is Now?”, acompanhado apenas por seu violoncelo. A performance o aproximou ainda mais de seu ídolo, Arthur Russell, mostrando sua versatilidade artística.
Geese: A Promessa do Rock que Impressionou Sob a Tempestade
O quarteto de art-rock de Brooklyn, **Geese**, mostrou por que “eles vão ser headliners de festivais em breve”. Sua apresentação na quinta-feira no palco Occident, antes mesmo que a chuva cancelasse as atrações dos palcos maiores, já indicava seu potencial. Com jams prontas para arenas, que soavam ao mesmo tempo minimalistas e expansivas, a banda combinou a ferocidade da tempestade que caía com a energia de suas músicas. O vocalista Cameron Winter, com seu cabelo esvoaçante e jaqueta de agasalho Adidas, lembrou a presença de Liam Gallagher, do Oasis. Canções como “I See Myself” e “Au Pays de Cocaine” foram recebidas com coros entusiasmados, mostrando que o sucesso pode estar mais perto do que se imagina.
NewDad e a Explosão Pop com Cover de Yeah Yeah Yeahs
Os indie rockers irlandeses do **NewDad** demonstraram uma alegria contagiante ao abrir o palco Estrella Damm na sexta-feira. A vocalista Julie Dawson celebrou estar tocando para “definitivamente o nosso maior público de todos os tempos!”. Como um presente para a ocasião, a banda apresentou um cover especial de “Heads Will Roll”, do Yeah Yeah Yeahs. A escolha foi perfeita para o estilo melódico, porém rítmico, do grupo, e o público respondeu com entusiasmo aos comandos de Dawson para “cantar junto até morrer!”.
The Cure: Um Show de Alegria que Desafiou a Aura Gótica
Embora The Cure não seja a escolha mais óbvia para afastar as memórias de um dia chuvoso, a banda de rock veterana provou que possui um catálogo impressionante de hits pop alegres e cativantes. No sábado à noite, eles apresentaram clássicos dos anos 90 como “Mint Car” e “Wrong Number”, além da B-side “2 Late” dos anos 80, pela primeira vez nesta década. A banda também incluiu faixas mais introspectivas do álbum “Songs of a Lost World” de 2024 e canções do LP “Wish” de 1992, equilibrando o show. No entanto, foram os singles pop que fizeram o público pular e cantar, e que até mesmo fizeram o vocalista Robert Smith sorrir e dançar, deixando de lado sua imagem de “Rei do Gloom” por uma noite.
Skrillex e a Nostalgia de “Stereo Love”
Décadas atrás, Skrillex e o hit “Stereo Love” de Edward Maya & Vika Jigulina pareciam pertencer a mundos diferentes da música eletrônica. No entanto, mais de uma década depois, essa divisão se dissolveu. Skrillex, que se reinventou várias vezes para permanecer na vanguarda da dance music, ainda conseguiu um dos maiores momentos de seu set de DJ na sexta-feira, no palco Revolut, ao soltar o inconfundível hook de acordeão de “Stereo”. A música trouxe de volta as lembranças de anos divertidos na pista de dança e mostrou o quanto todos evoluíram desde então.
Sudan Archives e a Performance Hipnotizante com Convite para “Ser uma Freira”
Poucos artistas do festival entregaram uma performance tão completa e brilhante quanto a cantora e compositora de art-pop da Califórnia, **Sudan Archives**. Em um show solo impecável, ela utilizou um violino elétrico como arco e flecha, transitando entre instrumentos e interagindo com o público superenergizado. O momento mais memorável, porém, foi quando ela convidou um fã da plateia para subir ao palco e dançar, pedindo: “Mas você tem que ser uma freira”. Uma fã entusiasmada atendeu ao chamado, mostrando a roupa íntima e rebolando ao som de “Freakalizer”, levando a multidão ao delírio.
Gelli Haha: Espetáculo Circense com Pop Contagiante
A artista pop Gelli Haha demonstrou como criar um show de nível de arena com recursos de indie. No domingo, ela impressionou com um cenário simples, trampolins e bambolês, integrando adereços circenses às coreografias de dança dela e de suas bailarinas. O espetáculo só funcionou devido à energia contagiante de sua música, um set composto inteiramente por joias do dance-pop, cada uma com potencial para conquistar novos fãs.
Little Simz e a Conquista do Público com “Club Simz”
A rapper britânica **Little Simz** foi uma das artistas mais expressivas em agradecer a oportunidade de tocar para um público tão grande no palco Revolut no sábado. Sua performance cinética e visceral demonstrou toda a sua arte, culminando em uma seção onde ela levou o público ao “Club Simz”. Vestindo fones de ouvido, ela comandou faixas mais dançantes, liderando cantos e comandos de pulo, e até mesmo incentivando sua banda a mostrar seus passos de dança antes de voltar aos instrumentos.
Olivia Rodrigo Surpreende com Robert Smith em Dueto Inédito
A performance mais comentada do Primavera Sound 2026 foi, sem dúvida, a surpresa de **Olivia Rodrigo**. Horas antes de subir ao palco Occident, ela presenteou o público com um set de 11 músicas, focado em seus sucessos mais roqueiros, aumentando a expectativa para o lançamento de “You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love”. O ápice do show aconteceu no encore, com a participação especial de **Robert Smith**, do The Cure. Juntos, eles apresentaram “What’s Wrong With Me”, um dueto inédito que estará no novo álbum, marcando uma colaboração histórica e emocionante.
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