A Trilha Sonora de um Imortal: As Influências Musicais de Lestat em ‘The Vampire Lestat’
Na nova temporada de ‘Interview With the Vampire’, agora intitulada ‘The Vampire Lestat’, o vampiro protagonista busca reescrever sua história através da música. Com um catálogo de canções inéditas, Lestat narra seu lado da história, impulsionado por uma trilha sonora cuidadosamente elaborada pelo compositor Daniel Hart.
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Hart, que já havia pontuado as duas primeiras temporadas com sua evocativa trilha, mergulhou em um universo musical vasto para compor mais de 20 músicas originais para esta temporada. A inspiração veio de sua própria experiência como músico e de uma lista curada de canções que refletem a complexidade e a evolução do personagem.
Conforme divulgado pela Billboard, Daniel Hart compartilhou uma versão reduzida da playlist de inspiração, oferecendo um vislumbre das referências que moldaram a identidade sonora de Lestat. Essa seleção de músicas, que transita por diversos gêneros, reflete a jornada estilística do vampiro ao longo de suas aventuras.
David Bowie: O Arquétipo do Rockstar Vampírico
David Bowie é apontado como um dos pilares fundamentais na concepção musical de Lestat. Daniel Hart destaca a maestria musical, a performance revolucionária e a constante reinvenção de Bowie como espelhos do próprio Lestat. Hart relembra sua experiência abrindo shows para Bowie na ‘Reality Tour’, em 2002, e como o artista conseguia transformar temas esotéricos em canções de sucesso, com uma mistura de sagacidade, sensualidade e autodepreciação.
A capacidade de Bowie de incorporar referências históricas e literárias em suas letras, sem soar pedante, e suas performances teatrais e cruas, que beiravam o desespero e a exuberância, foram elementos cruciais para a construção do nosso vampiro rockstar.
Marc Bolan e T. Rex: A Essência do Glam Rock Primitivo
Embora muitas vezes classificada como glam rock, canções de T. Rex, como ‘Long Face’, possuem uma universalidade e um tom mais primal que capturaram a atenção de Hart. A sonoridade crua e as guitarras marcantes de Marc Bolan foram uma referência direta para as guitarras de algumas faixas de Lestat, incluindo a música tema, ‘All Fall Down’.
Heart e a Intensidade Vocal Inigualável
A intensidade pura e a força vocal das irmãs Wilson, do grupo Heart, foram outra fonte de inspiração. Hart buscava replicar essa energia avassaladora em algumas de suas composições para Lestat, reconhecendo as harmonias vocais como algo intocável.
Soundgarden e a Raiz do Rock Alternativo
A escolha de ‘Black Hole Sun’ do Soundgarden, um marco do rock alternativo, reflete a busca por uma sonoridade que mescla o peso com a melodia. Hart menciona a importância do E, o acorde mais rock ‘n’ roll, e como a canção o remete a momentos formativos de sua adolescência.
Kurt Cobain e Nirvana: A Rebeldia e a Honestidade Criativa
Kurt Cobain é citado como outra grande influência para Lestat. A rejeição ao estrelato e a busca por um lugar criativo mais honesto, características marcantes de Cobain, foram elementos incorporados ao anti-herói da temporada. A própria banda Nirvana, com sua sonoridade crua e letras introspectivas, serviu de base para a abordagem de Hart.
Weezer e a Vulnerabilidade Pós-Sucesso
O álbum ‘Pinkerton’ do Weezer, apesar de inicialmente mal recebido, tornou-se uma referência pela sua abordagem crua de gravação, autoprofdução e letras que exploram a desilusão com o sucesso. A busca por essa escuridão e aspereza levou Hart a incorporar feedback de guitarra em faixas como ‘Big Bad Wolf’, em homenagem a ‘Tired Of Sex’.
Des Ark e a Urgência Emocional
A banda Des Ark, especialmente em sua formação original, é lembrada por sua immediacy e melancolia. Hart compara essa sensação com a de ‘Pinkerton’, expressando gratidão pela música deixada por Aimee Argote.
Royal Blood e a Energia Direta
A sonoridade potente e direta do Royal Blood, com sua fusão de baixo e bateria, serviu de inspiração para a energia contagiante de algumas faixas. Hart buscou em canções como ‘Wolf Like Me’ a estrutura e o ritmo que poderiam ser adaptados para Lestat.
Arctic Monkeys e a Ironia Sarcástica
Apesar de uma discordância inicial com o showrunner, Hart vê nos Arctic Monkeys, especialmente em canções como ‘Do I Wanna Know?’, uma aproximação do que ele imaginava para a persona musical de Lestat. A inteligência sarcástica e o humor cáustico de Alex Turner ecoam a forma como Lestat interage com Daniel Molloy.
Moses Sumney e a Voz Hipnotizante
Moses Sumney, um dos co-estrelas da série, é elogiado por sua música e voz. Hart expressa antecipação pelo trabalho de Sumney, comparando sua longevidade aparente a um vampiro real, e destacando a qualidade hipnotizante de sua voz.
Yeah Yeah Yeahs e a Performance Audaciosa
As performances ao vivo de Karen O, vocalista do Yeah Yeah Yeahs, foram uma referência crucial. Sua energia destemida e controle sobre o caos inspiraram Hart a criar um rock ‘n’ roll peculiar, que se destacasse.
Radiohead e a Complexidade Sonora
Radiohead é uma das bandas favoritas de Hart, que teve a oportunidade de abrir shows para eles. A determinação da banda em explorar seu catálogo e a energia eletrizante de canções tocadas em soundchecks, como ‘The National Anthem’ e ‘Paranoid Android’, deixaram uma marca indelével em seu próprio processo de composição.
FKA twigs e a Sensualidade Extrema
A sensualidade intrínseca em ‘Papi Pacify’ de FKA twigs, combinada com a produção atmosférica de Arca, inspirou Hart a injetar um nível extremo de sensualidade na música de Lestat. O videoclipe da canção também foi um fator importante.
Jai Paul e a Inovação na Produção
O álbum vazado de Jai Paul em 2013 revolucionou a percepção de Hart sobre o que era possível na composição e produção musical moderna. Ele considera que ‘The Loneliness’, uma das músicas de Lestat, deve muito à influência de Jai Paul.
Chappell Roan e a Maestria Pop
‘Good Luck, Babe!’ de Chappell Roan é descrita como uma obra-prima pop moderna, equilibrando letras inteligentes e dor de coração com facilidade. Hart usou a canção como um modelo para uma das composições de Lestat na terceira temporada, reconhecendo a dificuldade em criar algo acessível e cativante sem ser simplista.
Metronomy e a Precisão Sônica
‘She Wants’ do Metronomy cativou Hart pelo equilíbrio entre sintetizadores peculiares, melodia forte e um ritmo dançante, com uma atmosfera ao mesmo tempo sinistra e gentil. A dedicação da banda a uma paleta sonora específica, como o Roland Juno-60, é algo que Hart buscou replicar.
INXS e a Presença de Palco
As semelhanças percebidas entre o ator Sam Reid e Michael Hutchence levaram Hart a olhar para o INXS como referência. A experiência de participar de uma sessão cobrindo o álbum ‘Kick’ reforçou a admiração pela banda.
Nine Inch Nails e a Produção Industrial
A sonoridade industrial e as batidas pesadas de Nine Inch Nails, especialmente em canções com produção inspirada nos anos 90, foram elementos considerados para a música de Lestat, buscando um tom mais sombrio e potente.
Arcade Fire e os Hinos de Crescimento
O hino de crescimento e perda da inocência do Arcade Fire, como em ‘The Suburbs’, ressoou com a jornada de autodescoberta de Lestat. Hart buscou incorporar momentos de canto coletivo, inspirados na reação do público em shows do Arcade Fire.
Scott Pilgrim vs. The World e a Autenticidade Musical
A atenção à autenticidade musical em ‘Scott Pilgrim Contra o Mundo’ impressionou Hart. A colaboração com Chris Murphy, responsável pelo coaching musical do filme, que também auxiliou na série, destaca a importância de retratar a performance musical de forma convincente.
The Teeth e a Energia Elétrica
A banda The Teeth, conhecida por suas performances ao vivo eletrizantes e imprevisíveis, serviu como inspiração direta para a música ‘Why Do I Have To Feel?’. Hart compartilhou palco com a banda em diversas ocasiões.
Otis Redding e a Emoção Crua
Para capturar a vulnerabilidade a cappella no início de ‘Why Do I Have To Feel?’, Hart sugeriu a Sam Reid pensar em Otis Redding. A alma e a emoção crua do lendário cantor foram essenciais para que o ator se conectasse com a passagem.
The Rolling Stones e a Interação Guitarra-Vocal
Uma imersão no catálogo dos Rolling Stones, especialmente dos anos 60 e 70, revelou a Hart a genialidade da interação entre Mick Jagger e Keith Richards. A forma como a guitarra de Richards antecipa a melodia e o ritmo foi uma lição valiosa.
Led Zeppelin e a Evolução Sonora
Considerada por muitos como o ápice do rock ‘n’ roll, Led Zeppelin é uma influência inegável. Hart vê momentos Zeppelin-escos em várias canções de Lestat, com solos de guitarra que remetem a Jimmy Page e uma evolução estilística que espelha a da banda. ‘Nothin’ To Lose’ é citada como a mais influenciada pelo Led Zeppelin.
Ravel e a Elegância Clássica Francesa
A peça ‘Pavane pour une infante défunte’ de Ravel, em sua versão para violão clássico, tocou Hart profundamente, assim como ele acredita que tocaria Lestat. A inclusão de uma referência francesa e clássica na playlist homenageia as origens do vampiro, com ‘La Fontaine De Sang’ sendo mentalmente associada a essa peça.
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