Mulher relata infância marcada por doenças inventadas pela mãe e pedidos de eutanásia
Nina Blom viveu boa parte da infância acreditando que sofria de doenças incuráveis, sendo submetida a dezenas de internações e exames invasivos por insistência de sua mãe. A verdade chocante veio à tona quando um pediatra percebeu inconsistências e denunciou a situação às autoridades, conforme relatado por Nina em entrevista à BBC.
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A mãe de Nina começou a alegar que a filha, então com cerca de oito anos, possuía graves problemas de saúde, levando-a ao hospital 16 vezes em poucos anos. Chegou a convencer médicos de que a menina tinha uma doença muscular degenerativa, resultando no uso de cadeira de rodas. Nina lembra do medo imposto pela mãe, que a obrigava a ir ao hospital mesmo quando se sentia bem.
A mãe manipulava as queixas de Nina, transformando dores musculares de esforço em supostos diagnósticos graves e forçando a menina a relatar sintomas inexistentes aos médicos. Procedimentos dolorosos, como biópsia de medula óssea, foram realizados sem que nenhuma doença fosse diagnosticada. Nina descreveu a mãe como alguém que parecia gostar do sofrimento da filha, proibindo-a de chorar e irritando-se com seu sorriso.
Abuso psicológico e físico intensificado
Além das internações, Nina sofria controle rigoroso em casa. Sua mãe destruía seus pertences, proibia atividades prazerosas e aplicava punições severas. Em um episódio, após uma alta médica, a mãe a colocou em cadeira de rodas, retirou sua cama e a proibiu de frequentar a escola, forçando-a a dormir fora do quarto.
Pedido de eutanásia e intervenção médica
A situação se agravou quando Nina completou 12 anos. A mãe passou a afirmar que a filha morreria e a forçou a usar sonda nasogástrica com 20 comprimidos diários. Durante uma internação, a mãe manipulou um termômetro para simular febre. O caso começou a mudar quando o pediatra Dr. Vrienten desconfiou do histórico da menina e propôs um encaminhamento para reabilitação, o que gerou forte reação da mãe.
Em um momento crítico, a mãe teria perguntado ao médico se poderiam ajudar com a eutanásia. Influenciada pelo sofrimento, Nina também expressou o desejo de morrer. O Dr. Vrienten, desconfiado, acionou o serviço de proteção à criança.
Resgate e descoberta da síndrome
Uma representante do serviço de proteção de menores informou Nina que ela seria retirada da companhia dos pais, com apoio policial. Em um novo hospital, câmeras foram instaladas no quarto. Nina repetia que não estava doente, o que levou a mãe a perder o controle, sem perceber que estava sendo gravada, fornecendo provas do abuso.
Especialistas concluíram que Nina era vítima da síndrome de Münchausen por procuração, uma forma de abuso infantil onde o cuidador inventa ou provoca doenças na criança. Após ser afastada da família, Nina passou por tratamentos e reconstruiu sua vida, adotando nova identidade.
Ausência de punição e conscientização atual
Nina relatou que seus pais nunca reconheceram o abuso nem foram punidos judicialmente. Ela declarou que a mãe a manteve doente por 14 anos para obter atenção médica. Atualmente, Nina compartilha sua história em livros e palestras para conscientizar sobre essa violência, descrevendo o ocorrido como um crime e uma forma grave de abuso infantil do qual ela sobreviveu.
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