Jovem que perdeu perna em ataque de tubarão no Recife fala pela primeira vez e surpreende com confissão
A estudante de Direito Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, que teve uma perna amputada após ser atacada por um tubarão na Região Metropolitana do Recife, quebrou o silêncio e compartilhou sua experiência em entrevista ao programa “Fantástico”. A jovem relatou os momentos que antecederam o ataque e como está lidando com a nova realidade.
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Marcela descreveu que estava em uma área rasa quando sentiu um toque em sua mão, seguido por uma mordida na coxa. O animal, identificado como um tubarão-tigre com mais de três metros, agiu rapidamente. Surpreendentemente, a jovem confessou que não percebeu a violência do ataque inicialmente.
“Senti algo me encostar, mas não de maneira violenta. Eu me afastei e coloquei a mão, aí tirei e senti um corte, mas ainda não tinha visto. Foi questão de segundos. É muito rápido! Quando eu olhava para baixo, eu não conseguia ver”, relembrou Marcela, que estava em águas turvas e na altura da coxa.
O resgate e a percepção da gravidade
A jovem só compreendeu a dimensão do ocorrido ao notar a grande quantidade de sangue ao seu redor. “Eu pensei que, se ele continuasse mordendo, provavelmente ia me matar. Então eu gritei o máximo que pude para chamar meu primo”, contou.
Jonas André de Lima, primo de Marcela, não hesitou em entrar na água para resgatá-la, mesmo ciente do perigo. “Eu sabia que ele (tubarão) poderia estar por perto. Mas o meu intuito naquele momento, mesmo correndo risco… eu fui lá. A maioria das pessoas estava filmando! Eu não poderia deixar ela morrer ali naquele local”, declarou Jonas, que agora é considerado um herói pela família.
Um médico que estava na praia prestou os primeiros socorros, estancando a hemorragia antes da chegada das equipes de resgate. Marcela permaneceu consciente e descreveu o sentimento ao perceber a perda da perna.
Luto, recuperação e esperança
“Naquele momento, eu senti o luto. Não o luto de uma pessoa, mas o luto de ter perdido um membro, algo que é seu e fazia parte da sua rotina. Foi um susto”, admitiu Marcela. Ela ficou internada por 40 dias, sendo cinco deles na UTI, e passou por duas cirurgias.
Ao acordar na UTI, a primeira pergunta da jovem foi sobre a faculdade e a prótese. Graças a uma vaquinha e à ajuda de um doador, a prótese foi encomendada, e Marcela também recebeu uma bolsa de estudos. Apesar do apoio, a família ainda busca ajuda para a reabilitação, pois a estudante ainda não pode trabalhar.
“Eu perdi um membro, mas ganhei muita coisa boa. Eu vi de perto o que é lealdade, meus amigos, minha família, muito apoio de pessoas que eu nem conhecia. Fiquei muito feliz com isso. Hoje eu sou uma pessoa muito intensa com a vida, isso só vai me deixar mais forte. Vamos viver, não vamos parar, vamos estudar, trabalhar, aproveitar, ir em shows, vamos fazer tudo que a vida está oferecendo de bom. Vamos seguir a vida sem olhar pra trás, só pra frente”, concluiu Marcela com notável força e otimismo.
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