Casa Branca e Noah Kahan em conflito: Música do artista usada em vídeos de campanha de Trump
A Casa Branca entrou em rota de colisão com o cantor Noah Kahan após o artista criticar o presidente Donald Trump pelo uso não autorizado de sua música em vídeos de propaganda nas redes sociais. A polêmica ganhou destaque após a publicação de vídeos e fotos da administração em plataformas como TikTok e Instagram, utilizando a canção “American Cars”, de Kahan, em uma ação para celebrar a visita de Trump a uma fábrica de automóveis em Michigan.
Continua depois da publicidade
O artista de 29 anos, conhecido por sucessos como “Stick Season”, expressou publicamente seu descontentamento. Em comentários na plataforma Instagram, onde o áudio da música parece ter sido desativado, Kahan afirmou: “Nunca aprovaria o uso da minha música em apoio a você ou a esta administração”. O comentário, publicado na segunda-feira, 27 de julho, rapidamente acumulou mais de 53.500 curtidas e cerca de 840 comentários, demonstrando o amplo alcance da polêmica.
O guitarrista Noah Levine, coautor de “American Cars” e parceiro frequente de Kahan, também manifestou sua insatisfação com um comentário mais ácido na mesma postagem: “Você, seu gordo… essa música não é para você.” O comentário de Levine foi posteriormente removido, uma ação que foi notada por diversos usuários da plataforma.
Apesar das objeções, a música continua a acompanhar um vídeo da Casa Branca no TikTok, onde Trump aparece assinando uma Corvette branca durante sua visita às instalações da General Motors em Milford, Michigan. Essa situação levanta questões importantes sobre os limites do uso de material protegido por direitos autorais em contextos políticos e de campanha.
A resposta da Casa Branca e a acusação de “TDS”
A equipe de Trump não deixou a crítica de Kahan passar em branco. Kaelan Dorr, que ocupa cargos importantes na administração, como diretor adjunto de comunicações, retweetou a notícia da Variety sobre os comentários de Kahan, adicionando sua própria perspectiva. Dorr ironizou a situação ao declarar: “Sintomas de TDS [Trump Derangement Syndrome], aparentemente incluem ter uma atitude do norte.” A referência à chamada “Síndrome de Desarranjo Trump” sugere que a oposição do cantor seria motivada por uma antipatia pessoal e irracional em relação ao presidente.
Direitos autorais e o acordo entre UMG e Meta
É relevante notar que as gravações de Noah Kahan estão disponíveis para uso na biblioteca pública do Instagram. Isso se deve a um acordo firmado em 2024 entre a Universal Music Group (UMG) e a Meta, empresa controladora de plataformas como Facebook, Instagram, Messenger, Horizon, Threads e WhatsApp. Esse pacto permite que músicas do catálogo da UMG sejam utilizadas em conteúdos criados pelos usuários dessas redes sociais.
Noah Kahan se junta a lista de artistas contra Trump
Noah Kahan não é o primeiro artista a se manifestar contra o uso de suas músicas em vídeos de campanha ou de exaltação à administração de Trump. Ele se junta a uma lista crescente e notável de músicos e bandas que expressaram publicamente sua oposição. Entre eles estão nomes como Beyoncé, Adele, Bruce Springsteen, Katy Perry, Ariana Grande, Celine Dion, Foo Fighters, Guns N’ Roses, Jack White (White Stripes), Kenny Loggins, Neil Young, Olivia Rodrigo e Rihanna. Essa união de vozes evidencia uma preocupação generalizada entre os artistas sobre a apropriação de suas obras para fins políticos, especialmente quando contrariam seus próprios valores.
Continua depois da publicidade