Presidente da Voepass nega conhecimento sobre falhas técnicas após indiciamento pela PF
O presidente da companhia aérea Voepass, José Luiz Felício Filho, manifestou-se pela primeira vez após ser indiciado pela Polícia Federal, na última quinta-feira (6), pela queda de um avião da empresa em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas. Em nota divulgada por seus advogados, o executivo declarou que “nunca teve conhecimento” sobre a comunicação de problemas técnicos frequentes na companhia.
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Felício Filho, que integrava o conselho da Voepass na época do acidente, alega que desde 2017 não atuava na gestão direta e cotidiana da operação. Após a tragédia, ele retornou à gestão da companhia, promovendo mudanças estruturais e operacionais, além de ampliar a interlocução com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Ao todo, 16 pessoas, incluindo funcionários e ex-funcionários, foram indiciadas pelo acidente. Conforme informação divulgada pela Folha de S.Paulo.
“Em depoimento à Polícia Federal, Felício deixou claro que, diante de questões relacionadas à comunicação de problemas técnicos, determinou a adoção de medidas para assegurar o cumprimento dos protocolos de segurança. O executivo nunca teve conhecimento de que condutas contrárias a essas determinações persistissem, nem de fatos específicos que antecederam o acidente”, afirma o comunicado da defesa.
PF aponta conhecimento de Felício sobre problemas e omissão de falhas
Contudo, um relatório da Polícia Federal apresentado na última quinta-feira (6) aponta que Felício Filho tinha pleno conhecimento dos graves problemas técnicos da frota. O documento indica que, em depoimento, o executivo declarou ter ciência da cultura de omissão da empresa, que evitava o registro de falhas no livro de bordo.
A polícia afirma que o executivo relatou ter sido alertado por diretores da Anac sobre o padrão de conduta dos pilotos, afastando qualquer alegação de desconhecimento do risco. Ele também teria admitido que a implantação de um sistema automatizado de monitoramento de falhas no sistema antigelo não havia sido implementada antes do acidente, estando apenas “nos planos” da companhia.
Executivo tinha conhecimento de falhas e despachos irregulares
O relatório da PF destaca que Felício demonstrou ter ciência de que a estrutura formal de segurança operacional funcionava separadamente do núcleo responsável pela pressão contra o reporte de falhas. Ele reconheceu expressamente que “a aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota”.
A investigação concluiu que a tragédia foi resultado de uma sucessão de falhas operacionais e de manutenção, não um evento isolado. A aeronave foi despachada para uma rota com previsão de formação de gelo, condição para a qual o modelo ATR 72-500 não é certificado.
Grupo de WhatsApp evidencia omissão de panes
Informações obtidas pela Folha de S.Paulo revelam que uma diretora da Voepass orientou a omissão de panes dos aviões em relatórios, com a ordem sendo repassada em um grupo de WhatsApp que incluía Felício e outros diretores. Os envolvidos podem ser condenados a até 24 anos de prisão.
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