Influenciador Moskitão é réu por importunação sexual e discriminação contra Tokinho
O influenciador Alexsander José Rodrigues da Silva, conhecido como Moskitão, tornou-se réu na Justiça de São Paulo. Ele é acusado de importunação sexual e discriminação em razão de deficiência contra Guilherme Ribeiro dos Santos, o Tokinho, que tem nanismo. O incidente ocorreu em um evento de música na Arena Pinheiros, em agosto de 2025.
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Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Moskitão teria tentado beijar Tokinho sem consentimento e feito comentários de cunho sexual e discriminatório durante uma transmissão ao vivo na Twitch. O influenciador responde ao processo em liberdade. A denúncia foi aceita pela 26ª Vara Criminal do estado em julho de 2026.
As datas para as audiências, onde Tokinho, Moskitão e seus advogados serão ouvidos, ainda serão definidas. Caso condenado, Moskitão pode enfrentar penas de 2 a 8 anos de reclusão, além de multa. Se a discriminação for considerada cometida por meio de comunicação social, a pena pode aumentar para até 10 anos de reclusão.
Detalhes da denúncia contra Moskitão
De acordo com a denúncia do MP-SP, Moskitão se aproximou de Tokinho durante uma live e insistiu em entrevistá-lo. Durante a interação, o influenciador teria tentado beijá-lo à força e dito explicitamente: “Eu vou te abusar”. Em seguida, acrescentou: “Eu tenho fetiche por deficiente”.
A acusação detalha ainda que Moskitão fez comentários sexualizados sobre pessoas com nanismo. Ao ser questionado por Tokinho sobre o que seria deficiência, Moskitão respondeu que era algo “que não condiz com o normal” e fez alusões ao tamanho de órgãos sexuais de pessoas com nanismo, afirmando que “todo anão tem um p*u grande”.
Tokinho corrigiu Moskitão, pedindo o uso do termo “pessoa com nanismo” em vez de “anão”. No entanto, o influenciador continuou com as referências pejorativas, chamando Tokinho de “micro-ondas” e “viado”. Um vídeo do ocorrido foi apresentado como prova na investigação policial.
Acusações e possíveis penalidades
O MP-SP enquadra Moskitão nos crimes de importunação sexual (artigo 215-A do Código Penal) e discriminação em razão de deficiência (artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão). Além das penas de reclusão, o MP-SP solicitou a fixação de um valor mínimo de R$ 10 mil para reparação dos danos morais causados a Tokinho.
Moskitão, que possui mais de 600 mil inscritos no YouTube e centenas de milhares de seguidores em outras redes sociais, define seu conteúdo como humorístico e costuma entrevistar pessoas em eventos, por vezes pedindo para beijá-las. Em casos anteriores, sua atuação gerou indenizações por danos morais a vítimas.
Tokinho se pronuncia e busca por justiça
Tokinho, que acumula 1 milhão de seguidores no Instagram e já participou de programas de TV e filmes, gravou um vídeo criticando a atitude de Moskitão logo após o incidente. Ele expressou sentir-se “desrespeitado” e “constrangido”, afirmando que “essa pessoa ou qualquer outra pessoa que desrespeita, que joga ódio, compartilha ódio, preconceito, insinua assédio… não pode ficar assim”. Tokinho registrou um boletim de ocorrência sobre o ocorrido.
A defesa de Tokinho, representada por Jean Duarte, Thiago Castanho, Ruan Sousa e Joyce Silva, emitiu nota afirmando que o recebimento da denúncia “representa um importante avanço na busca por justiça”. A nota ressalta que “nenhuma pessoa pode ser transformada em objeto de ridicularização, sexualização ou entretenimento em razão de uma deficiência ou de uma característica física”.
A defesa também destacou que “a liberdade de expressão e a atividade desenvolvida nas redes sociais não afastam o dever de respeito à dignidade humana, à integridade, à liberdade sexual e aos direitos das pessoas com deficiência”.
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