Ronnie Lessa narra detalhes da execução de Marielle Franco e Anderson Gomes
O ex-policial militar Ronnie Lessa concedeu uma entrevista detalhada sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018. Lessa afirmou ter sido motivado pela quantia de R$ 25 milhões para cometer o crime, descrevendo a ação que chocou o país. As declarações foram feitas ao programa “Doc Investigação”, da Record.
Continua depois da publicidade
Segundo o ex-PM, a preparação para o crime se estendeu por sete meses, período em que ele e o também ex-policial militar Élcio Queiroz teriam monitorado a rotina de Marielle Franco. Na noite do atentado, a dupla perseguiu o carro da vereadora por aproximadamente quatro quilômetros. Lessa relatou ter se posicionado no banco traseiro do veículo para facilitar os disparos.
“Eu abaixei o banco e passei pro banco de trás. Aí ficamos esperando ali e eu empurrei o banco todo para frente, pra ficar com um espaço maior. O banco de trás me facilitaria ir pra qualquer um dos lados, tanto a direita quanto a esquerda”, explicou Lessa, que chegou a suspeitar que o motorista Anderson Gomes poderia ter percebido a perseguição.
Planejamento e execução do crime
O ex-policial descreveu que, ao parar em um semáforo, Élcio Queiroz informou sobre o sinal fechado, e Lessa ordenou a parada ao lado do veículo de Marielle. Utilizando uma submetralhadora HK MP5, Lessa efetuou os disparos. No entanto, ele revelou que Élcio não parou o carro completamente, o que resultou nos tiros atingindo o motorista Anderson Gomes.
Fernanda Chaves, assessora de Marielle que estava no carro e sobreviveu ao ataque, relembrou o momento de terror. “Eu me abaixei, eu percebi que o Anderson esboçou dor, falou ‘ai’. A Marielle estava imóvel, eu senti o braço dela por cima de mim, o peso do corpo dela”, contou.
Motivação e consequências
Lessa confessou que a motivação principal foi financeira. “Eu estava cego, estava entorpecido. Eu estava sob uma overdose de ganância, overdose de ambição. Dinheiro”, declarou. Ele também admitiu ter atuado como matador para grupos criminosos, mas negou ter sido contratado diretamente por contraventores como Rogério Andrade.
Após o crime, Lessa e Queiroz teriam se dirigido a um bar para assistir a uma partida de futebol e beber, acompanhando pela televisão a confirmação das mortes de Marielle e Anderson. Recentemente, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aumentou as penas dos ex-policiais: a condenação de Lessa subiu de 78 para 81 anos, e a de Élcio de 59 para 76 anos de reclusão.
Assista ao documentário completo:
Assista ao documentário completo
Continua depois da publicidade