MC Doca reage a versão de Ana Castela para o ‘Rap da Felicidade’ e pede paz
A cantora Ana Castela se viu no centro de uma polêmica após o lançamento da música ‘Não é pressa, é pressão’, em parceria com Rincon e DJ Boss. A canção utiliza a melodia e a estrutura do clássico ‘Rap da Felicidade’, originalmente de Cidinho & Doca, mas substitui os versos sobre a realidade das periferias por referências ao universo agro e à ostentação, o que gerou forte reação nas redes sociais. Nesta quarta-feira (2), MC Doca, um dos artistas por trás do hit original, se pronunciou sobre o caso.
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A controvérsia se intensificou porque o refrão original, que fala sobre o desejo de viver com dignidade na favela onde nasceu e a certeza de que “o pobre tem seu lugar”, foi alterado. Na versão de Ana Castela, a letra diz: “Mas eu só quero é ser feliz, com uma Dodge Ram, que o Barretão tá vindo aí, né? E poder me embriagar, ao som do DJ Boss, e o Rincon vai ritmar”. A mudança foi vista por muitos como uma descaracterização de uma música de denúncia social.
Em entrevista ao portal Metrópoles, MC Doca optou por uma postura pacífica e evitou alimentar o debate. Ele declarou que deseja o melhor para a cantora e a reconheceu como uma artista talentosa. “Eu só peço que Deus abençoe ela. Ela é uma mulher supertalentosa. Muita gente me mandou mensagem reclamando, falando uma porção de coisas sobre a versão dela, mas eu nem respondi. Eu jamais vou tacar pedra em alguém”, afirmou.
Gratidão pela divulgação
MC Doca expressou gratidão pela forma como a música original foi lembrada e divulgada pela nova geração, mesmo com as alterações. Ele enfatizou que não tem nada contra Ana Castela e que compreende a importância de não julgar, assim como ele próprio não gosta de ser julgado. “O que eu desejo para a Ana Castela é toda sorte do mundo. Sou grato por ela ter lembrado do refrão da nossa música. Não vou julgar ela por nada, porque eu também não gosto de ser julgado. Não tenho nada contra ela, muito pelo contrário, até agradeço por ela ter lembrado da música”, declarou o cantor.
O legado do ‘Rap da Felicidade’
Lançado em 1994, o ‘Rap da Felicidade’ se tornou um hino para as comunidades, abordando temas como o direito à segurança, paz, dignidade, a desigualdade social, a valorização das origens e a cobrança às autoridades. Embora Cidinho & Doca tenham popularizado a canção, a autoria é de Julinho Rasta e Katia Sileia Ribeiro de Oliveira, ambos já falecidos.
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