Flávio Bolsonaro alterou carta após pedido dos EUA para evitar crise diplomática
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve que modificar uma declaração em sua carta de pronunciamento após um pedido do governo dos Estados Unidos. O trecho em questão o identificava como o ‘verdadeiro presidente eleito do Brasil’. A mudança ocorreu para prevenir possíveis problemas diplomáticos entre Washington e o governo brasileiro, conforme noticiado por colunistas como Mariana Sanches (UOL), Valdo Cruz (GloboNews) e Patrícia Vasconcellos (SBT News).
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A formulação gerou preocupação em Washington, que temia que a declaração pudesse sugerir um reconhecimento americano da autoproclamação de Flávio Bolsonaro como presidente. Tal interpretação poderia comprometer as relações bilaterais com o governo brasileiro. Assessores do Departamento de Estado americano indicaram que a declaração inicial poderia ser vista como um sinal de acolhimento da autoproclamação, configurando um rompimento diplomático.
A administração americana autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro e sua família nos Estados Unidos, concedendo vistos humanitários. No entanto, segundo relatos, a permissão de entrada não implicava em reconhecimento como presidente eleito, algo que não estava nos planos do governo Trump. Apesar das críticas ao processo eleitoral brasileiro, o então presidente Donald Trump chegou a elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mudanças no texto e brasão
Na primeira versão da carta, divulgada na quarta-feira (28), Flávio se apresentou como ‘verdadeiro presidente eleito do Brasil’, questionou o resultado eleitoral sem apresentar provas de fraude e anunciou que lideraria a oposição a partir dos EUA. Pouco tempo depois, a publicação foi apagada e substituída por uma nova versão.
No texto atualizado, as expressões ‘verdadeiro presidente eleito’ e ‘presidente eleito’ foram trocadas por ‘líder do Brasil’ e ‘líder’. Além disso, o brasão utilizado na primeira versão, com a inscrição ‘Estados Unidos do Brazil’ e a data de 15 de novembro de 1889, foi substituído pelo atual brasão da república federativa brasileira.
Contestação eleitoral e cancelamento de coletiva
A carta também contestava a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar o horário de votação, mesmo a extensão tendo sido solicitada por ambas as campanhas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Lula, assegurando a segurança e transparência do processo eleitoral sem inconsistências significativas.
Uma coletiva de imprensa em Miami, que havia sido anunciada para quinta-feira (29), foi cancelada na tarde de quarta-feira (28). Após o cancelamento, a declaração de três páginas foi enviada a veículos de comunicação, contendo a formulação inicial e a posterior alteração.
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