Leandra Leal critica falha da Globo em checagem de fatos após fala de Juliano Cazarré
A atriz Leandra Leal se manifestou publicamente contra a disseminação de informações falsas em programas de debate na televisão. A declaração da artista global ocorreu após a participação de Juliano Cazarré no programa GloboNews Debate, onde ele apresentou dados imprecisos sobre a letalidade de homens e mulheres no Brasil, minimizando o número de feminicídios.
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Durante sua participação no debate, Juliano Cazarré afirmou que “mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres”. A fala do ator ocorreu em meio à repercussão de um evento organizado por ele com o objetivo de “fortalecer os homens enfraquecidos na atual sociedade”. Conforme informação divulgada pelo X (antigo Twitter).
Leandra Leal utilizou suas redes sociais para expressar sua insatisfação, enfatizando que “uma mentira repetida mil vezes não vai virar verdade”. Ela ressaltou a importância de que programas de debate e entrevistas não permitam que distorções de dados sejam utilizadas para sustentar pontos de vista. A atriz defendeu a necessidade de correção das informações falsas com a mesma agilidade com que são apresentadas, através de checagem de fatos em tempo real.
O Papel do Jornalismo na Combate à Desinformação
Em um vídeo publicado posteriormente, Leandra Leal aprofundou a discussão sobre a responsabilidade do jornalismo brasileiro em combater a desinformação ao vivo. Ela enfatizou que a intervenção no momento em que a notícia falsa surge é crucial. A atriz pediu um posicionamento mais ativo do jornalismo, especialmente em programas de debate, para impedir a propagação de inverdades.
A atriz reconheceu que a apresentação de dados em debates é comum para defender um ponto de vista, mas alertou para o perigo da distorção de fatos. Ela fez um apelo para que a checagem de fatos se torne uma prática padrão em programas de debate, pois dados distorcidos, uma vez veiculados e amplificados pela internet, podem ganhar uma aparência de verdade.
A Realidade dos Dados sobre Feminicídio no Brasil
Contrariando a afirmação de Juliano Cazarré, os dados oficiais de segurança pública no Brasil indicam que os homens cometem a vasta maioria dos homicídios, sendo também as principais vítimas de crimes violentos. Eles são responsáveis por mais de 90% dos homicídios no país, com as vítimas masculinas representando entre 91% a 92% do total.
No caso do feminicídio, a maioria dos crimes é perpetrada por homens, frequentemente parceiros ou ex-parceiros. As mortes de homens no Brasil estão majoritariamente ligadas a questões de criminalidade, tráfico de drogas e disputas entre facções, ocorrendo em espaços públicos. Em contrapartida, a maioria das mortes de mulheres acontece no ambiente doméstico.
Números Alarmantes de Feminicídio
De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026, uma média de quatro mulheres mortas por dia no período. Esse trimestre marcou o período mais letal da história do país desde o início dos registros pelo Sinesp em 2015.
Um relatório do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL) comunicou o registro de 6.904 vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 34% em relação ao ano anterior. O levantamento apontou 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos consumados, totalizando quase seis mulheres mortas por dia no país. Os dados superam em 38,8% as informações divulgadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
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