Psiquiatra aponta “prazer em infligir dor” em Jairinho; defesa contesta
O julgamento do ex-vereador Jairinho e de Monique Medeiros, pais de Henry Borel, ganhou novos contornos nesta quarta-feira (27) com o depoimento do psiquiatra Rafael Bernardon. O especialista analisou o comportamento de Jairinho e afirmou categoricamente que o ex-parlamentar apresentaria um padrão de violência voltado a crianças, sentindo “prazer em infligir dor em crianças”. A declaração causou alvoroço no tribunal, com interrupções por parte do réu e forte reação da defesa.
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Segundo o psiquiatra, em sua percepção profissional, Jairinho demonstra um perfil “egocêntrico, narcisista e sádico”. Bernardon reforçou conclusões já apresentadas em parecer anexado ao processo, detalhando um padrão de abuso infantil associado ao ex-vereador. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo.
Jairinho chegou a interromper o depoimento para contestar a afirmação, classificando-a como uma interpretação pessoal do psiquiatra. A defesa, em nota após a audiência, criticou duramente o depoimento, chamando-o de “absurdo” e alegando que o médico não poderia se manifestar sobre pessoas não entrevistadas, além de não ter tido contato direto com o ex-vereador. Os advogados afirmaram que Bernardon foi “contratado pela acusação para expor suas impressões pessoais”.
Defesa alega que juíza já considerou depoimento irrelevante
A defesa de Jairinho também mencionou que a própria magistrada responsável pelo caso já teria questionado a relevância do depoimento do psiquiatra em fases anteriores do processo. Segundo os advogados, a juíza teria proibido a oitiva de Bernardon por considerá-la irrelevante, “uma pessoa alheia e paga para confirmar a versão acusatória”.
Delegados responsáveis pela investigação também depuseram
Na terça-feira (26), o foco dos depoimentos esteve nos delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Medeiros, que conduziram a investigação sobre a morte do menino Henry Borel. Eles apresentaram detalhes sobre o andamento do inquérito e as evidências coletadas.
Relembre o caso Henry Borel
Henry Borel, de 4 anos, morreu na madrugada de 8 de março de 2021. Monique Medeiros, mãe do menino, e Jairinho, seu padrasto, são réus no processo. A polícia aponta que Jairinho torturou a criança e Monique sabia da situação, mas não interveio.
Laudo aponta sinais de violência e causa da morte
O laudo do Instituto Médico-Legal revelou que o corpo de Henry apresentava sinais de violência. A morte foi causada por hemorragia interna e laceração hepática, decorrentes de ação contundente. A perícia constatou múltiplos hematomas, edemas cerebrais e laceração no fígado, entre outras lesões.
Histórico de violência atribuído a Jairinho
Relatos divulgados na época indicam que Jairinho teria um histórico de violência, com agressões a ex-namoradas e filhos destas. Alguns casos já haviam sido registrados na polícia. Apesar de uma fachada gentil, conversas e relatos sugerem um temperamento violento e “sádico” em sua vida privada. Ele já havia sido denunciado por torturar uma menina de 4 anos entre 2011 e 2012, e episódios semelhantes teriam ocorrido com filhos de ex-companheiras.
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