PNAU evoca a magia dos arcades em “AHHCade”, celebrando uma juventude “naive” de forma “belíssima”
As luzes vibrantes, os cheiros característicos e os sons eletrônicos ecoando pelas paredes. Para a Geração X, os fliperamas eram portais para festas e descobertas. O duo eletrônico PNAU decidiu revisitar essa atmosfera, e o resultado é “AHHCade”, seu sétimo álbum de estúdio, lançado hoje (31 de julho) pelo selo indie etcetc. A viagem sonora busca capturar a essência de uma época que o cofundador Nick Littlemore descreve como “naive” e “belíssima”.
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Inicialmente, a dupla, formada por Nick Littlemore e Peter Mayes, almejava criar algo mais sombrio e industrial. No entanto, a nostalgia falou mais alto. “Começamos este disco tentando fazer algo diferente, algo mais sombrio”, explica Littlemore em entrevista. “Falamos sobre a ideia de torná-lo bastante industrial, voltando às minhas raízes”.
Contrariando os planos iniciais, PNAU mergulhou nas memórias afetivas, resgatando a lembrança dessas salas que consumiam o dinheiro do bolso e disparavam doses de dopamina. “Os arcades eram lugares tão emocionantes quando éramos crianças”, relembra Littlemore. “Eles nos deram uma janela para um futuro que outras gerações não tiveram”. Em uma vida anterior, mais simples, a juventude se reunia em fliperamas, criava mixtapes para amigos e expressava sua identidade nos estojos de lápis.
Littlemore compara a experiência dos “Spacies”, como são chamados na Austrália, com as raves. “O fato de não serem necessariamente tão seguros é um pouco como ir a raves. Eles foram o precursor para entrar em outras salas escuras, com comidas duvidosas sendo vendidas em algum lugar. E luzes piscando, sons malucos. E muito eletrônico. Você estava interagindo com isso”. Esses ambientes de sobrecarga sensorial foram os primeiros a proporcionar aos jovens uma sensação de euforia através das telas.
A “playfulness” dos fliperamas
“Música não é trabalho, você não trabalha a música. Fliperamas, é tempo de brincar, não é?”, argumenta Littlemore. “Há uma brincadeira nisso”. Essa brincadeira, segundo ele, era “naive naquela época de uma forma linda. Eu nunca quero perder isso”. A ingenuidade e a pureza dessa época são o fio condutor do álbum.
Um compilado de colaborações estelares
O novo álbum traz faixas já conhecidas, como o sucesso “Tu Corazon (Your Heart)” com a banda mexicana The Warning, e o animado single “Nirvana” com EARTHGANG e sadMONTH. O novo single “Serotonin”, com participação de Kurtis Wells, também chega hoje para completar o time. Outras colaborações notáveis incluem Master Peace, Kungs, MEDUZA, Maleigh Zan, The Flints, LATASHA e Marieme, enriquecendo a diversidade sonora do projeto.
Trajetória de sucesso e novos horizontes
Formado em Sydney em meados dos anos 90, PNAU emergiu na era de ouro da cena de música eletrônica underground australiana. Seu álbum de estreia, “Sambanova”, de 1999, rendeu um ARIA Award. O reconhecimento internacional veio com o remix de “Good Morning to the Night” para Elton John em 2012, que alcançou o topo das paradas do Reino Unido. A parceria se repetiu em 2021 com o hit global “Cold Heart”, em colaboração com Dua Lipa.
O futuro da produção e a despedida dos palcos
PNAU apoiará o lançamento de “AHHCade” com uma turnê nacional. No entanto, Nick Littlemore, que também faz parte do Empire of the Sun, expressa um desejo de diminuir sua participação em turnês. “Quero encerrar minhas turnês pessoais até o final do ano”, afirma. “Idealmente. Tentei fazer isso no ano passado. Mas eu gostaria de me dedicar puramente à produção e composição”. Ele revela estar trabalhando em um álbum clássico, explorando arranjos complexos e sintetizadores modulares, uma paixão que o motiva profundamente.
Littlemore confessa que ele e Mayes possuem “centenas de músicas e ideias” em espera. “Músicas são feitiços. São desejos e são feitiços, e você quer colocar bons feitiços no universo”, ele insiste. “Já existem feitiços ruins suficientes por aí”. “AHHCade” chega para trazer equilíbrio, com onze “bons feitiços”, uma celebração de meia hora à memória e à inovação.
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