Homens que agrediram capivara no Rio de Janeiro são multados em R$ 160 mil pelo Ibama
Oito homens foram responsabilizados pelo brutal espancamento de uma capivara na zona norte do Rio de Janeiro. Eles foram enquadrados no recém-implementado Decreto “Cão Orelha”, que eleva significativamente as multas por maus-tratos a animais. Cada um dos envolvidos deverá pagar R$ 20 mil, totalizando R$ 160 mil em multas.
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Esta marca a primeira vez que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplica as novas normas, que entraram em vigor no dia 13 de março. O decreto, apelidado de “Cão Orelha” em homenagem a um cão comunitário agredido em Florianópolis, SC, eleva as penalidades para crimes ambientais.
Até então, as multas por maus-tratos a animais silvestres variavam de R$ 300 a R$ 3 mil. Com a nova legislação, a punição civil pode chegar a R$ 50 mil por animal, dependendo da avaliação do Ibama. A agressão à capivara ocorreu na orla do Quebra Coco, no bairro Jardim Guanabara, e foi registrada em vídeo chocante.
O Ataque e a Prisão dos Agressores
As imagens mostram o grupo perseguindo a capivara com pedaços de pau, cercando o animal e desferindo golpes. Mesmo ferida, a capivara tentou fugir, mas caiu no chão após as agressões. Os suspeitos se dispersaram logo em seguida.
Na segunda-feira, 23 de março, a Justiça do Rio manteve a prisão de seis maiores de idade acusados: Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo. Dois menores de idade também foram apreendidos.
Os maiores responderão por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Os adolescentes responderão por atos infracionais equivalentes, conforme a legislação.
Estado de Saúde da Capivara e Cuidados Veterinários
O veterinário Jeferson Pires atualizou o estado de saúde da capivara, indicando sinais de melhora, mas com preocupação sobre a visão de um dos olhos. “O olho foi a única coisa que não evoluiu bem. Ela chegou com sangue dentro do olho, com um edema muito grande, então pode ser que ela já esteja cega. Talvez possa ser reversível”, explicou Pires.
Apesar da suspeita de perda visual, o animal já consegue se alimentar e descansar. O local onde a capivara está internada foi adaptado com folhas para reduzir a luminosidade e proporcionar uma sensação de proteção. Ela segue sob os cuidados da Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá.
Defesa dos Acusados Alega Falta de Provas Conclusivas
Em nota, a defesa de Matheus, Isaías e Pedro Eduardo declarou que acompanha o caso com seriedade e responsabilidade. Ressaltam que o processo está em fase inicial e que é fundamental a observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa.
A defesa argumenta que não há, até o momento, prova técnica conclusiva nem individualização precisa das condutas atribuídas a cada acusado. Afirmam que os custodiados são primários, possuem residência fixa e exercem atividade lícita, não devendo ser tratados como culpados antes da apuração completa dos fatos.
A defesa expressou confiança na atuação do Poder Judiciário e reiterou que eventuais conclusões devem basear-se em provas concretas, e não em juízos precipitados ou pressões externas. Por respeito ao andamento processual, a defesa não se manifestará sobre detalhes específicos dos autos neste momento.
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