A Amazônia abriga o vulcão mais antigo do mundo, com impressionantes 1,9 bilhão de anos
Escondido sob a exuberante floresta amazônica, no sul do Pará, um colosso geológico está reescrevendo a história do nosso planeta. Pesquisadores identificaram na região de Uatumã o que é considerado o vulcão mais antigo conhecido da Terra, datando de aproximadamente 1,9 bilhão de anos.
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Esta descoberta monumental posiciona a Amazônia como um epicentro de estudos internacionais sobre a formação da crosta terrestre e o surgimento dos primeiros continentes. A magnitude e a antiguidade deste vulcão oferecem um vislumbre sem precedentes dos processos geológicos que moldaram o nosso mundo.
A pesquisa, publicada em 2021 no Journal of South American Earth Science, foi conduzida por cientistas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Unicamp. Conforme a pesquisa, as rochas vulcânicas encontradas na área possuem cerca de 1,8 bilhão de anos e estão associadas a antigas caldeiras vulcânicas, estruturas circulares por onde a lava e gases eram expelidos, como a famosa caldeira de Yellowstone nos EUA.
Um Gigante Adormecido Sob a Vegetação
Com um diâmetro estimado em 22 quilômetros, este vulcão, batizado de Amazonas, chegou a ostentar um cone com cerca de 400 metros de altura. Sua atividade vulcânica teria se estendido por aproximadamente 300 milhões de anos. Atualmente, a densa vegetação amazônica encobre a maior parte da estrutura, mas as rochas remanescentes ainda carregam as marcas inequívocas de suas antigas erupções.
O interesse científico neste vulcão começou a aflorar no início dos anos 2000. Desde então, análises detalhadas de rochas, minerais e estruturas subterrâneas têm fortalecido a hipótese de que este complexo vulcânico se originou em um período extremamente remoto, anterior a muitas cadeias montanhosas conhecidas hoje.
Rochas Antigas Preservam Evidências da Terra Primitiva
Mesmo após bilhões de anos de erosão, mudanças climáticas e transformações naturais, o vulcão Amazonas ainda preserva vestígios do seu antigo sistema magmático. Condutos de lava, depósitos minerais e estruturas profundas permaneceram intactos o suficiente para permitir análises detalhadas sobre a origem da formação da Terra.
Os pesquisadores encontraram indícios de cristalização profunda nas rochas extraídas da área. Essas amostras sugerem que o magma circulou em fissuras da crosta terrestre primitiva, em um período em que o planeta ainda consolidava seus primeiros blocos continentais estáveis. A ausência de crateras e cones visíveis hoje se deve ao desgaste natural ao longo de eras geológicas.
Um Arquivo Geológico Natural da Amazônia
Modelagens com sensoriamento remoto indicam que o sistema vulcânico se estende por uma área muito maior do que a já identificada, com grande parte da estrutura soterrada sob camadas sedimentares. O vulcão Amazonas teve um papel crucial na formação do relevo amazônico, com parte das bases rochosas que sustentam a floresta atual originando-se deste antigo sistema magmático.
Além do impacto geológico, os minerais encontrados na região são essenciais para investigar a composição química da Terra primitiva. Elementos preservados nas rochas fornecem pistas sobre a atmosfera antiga, o comportamento térmico do planeta e o processo de consolidação dos continentes. Para os cientistas, o vulcão Amazonas funciona como um arquivo geológico natural, revelando detalhes dos primeiros capítulos da história da Terra.
“Estas informações são relevantes porque ajudam a entender como era a região Amazônica brasileira aproximadamente 1,9 bilhão de anos atrás. Hoje, sabemos que não há vulcões ativos no Brasil, mas o Norte do Brasil era uma região com muitos vulcões ativos”, afirma Felipe Holanda, professor e geólogo da UFC.
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