Alexandra Gurgel explica saída do movimento body positive e revela desejo de emagrecer
A influenciadora Alexandra Gurgel, conhecida por seu trabalho com o movimento body positive e pelo perfil “Alexandrismos”, anunciou sua saída do ativismo. Em entrevista à DW, divulgada nesta terça-feira (28), Gurgel compartilhou as razões por trás de sua decisão, os desafios enfrentados como referência no tema e sua nova fase, que inclui o desejo de emagrecer.
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Segundo a influenciadora, a “militância se perdeu” ao longo do tempo, apesar de seu apoio contínuo aos ideais que pregava. Gurgel iniciou seu canal no YouTube há dez anos buscando pessoas com vivências semelhantes, sem conhecer termos como “gordofobia” ou “body positive”. Ela reconhece que, como em qualquer movimento, as coisas se tornaram complexas, especialmente durante a pandemia, período em que ganhou grande visibilidade e fama, mas também sentiu a “militância se perder”.
A pandemia, para Alexandra, intensificou a força do body positive mundialmente, criando uma comunidade online de pessoas se reconectando com seus corpos. No entanto, ela admitiu as dificuldades de ser uma referência, lidando com pressões e oportunidades financeiras que a afastaram de sua essência. Gurgel vendeu grande parte de seus pertences e parou de frequentar eventos, sentindo-se cansada de ter que ser uma “voz que sabe o que está falando”, buscando o direito de errar.
A busca por um novo caminho
A decisão de se afastar da militância trouxe um alívio, mas também um sentimento de culpa inicial. Gurgel confessou que sempre quis emagrecer, mas parou de focar nisso para não prejudicar sua saúde mental. Agora, com novas perspectivas e a possibilidade de acompanhamento médico, ela acredita que pode buscar uma vida melhor e mais saudável.
Uso de medicamentos e aceitação
Alexandra confirmou a intenção de usar medicamentos para emagrecer, como as chamadas “canetas emagrecedoras”. Ela ressalta que o emagrecimento dentro dos padrões impostos pela “cultura da magreza” nunca funcionou para ela. A influenciadora defende que a aceitação não significa ausência de problemas de saúde, mas sim o direito de ser aceito e ter alternativas que tornem a vida mais viável, como conseguir realizar exames ou cirurgias.
Reflexões sobre o passado
Gurgel admitiu que um dos pontos de discordância com seu passado é a afirmação de que “obesidade não era doença”. Ela explica que sua intenção era não ser vista como doente, mas reconhece que poderia ter abordado o tema de outra forma. A influenciadora também reavaliou a ideia de que “obesidade é uma palavra gordofóbica”, algo que não sustenta mais, atribuindo seu tom anterior a uma “garota revoltada” buscando atenção.
Dinheiro e o movimento body positive
Sobre as críticas de que influenciadores lucraram com o movimento e o abandonaram, Alexandra Gurgel confirmou que houve ganhos financeiros, mas que era o trabalho delas. Ela esclarece que não se tornou milionária e que muitas pessoas do meio foram afetadas pelo “reacionarismo” que enfraqueceu a pauta. Empresas que antes investiam em diversidade, agora alegam falta de verba.
Novas Narrativas e o Futuro
Alexandra Gurgel tem focado seu conteúdo em contar histórias de relacionamentos, uma mudança que, segundo ela, apesar de um período de incertezas, resultou em um crescimento significativo de seguidores. Ela acredita que o body positive, embora não mais tão coordenado, ainda existe e se manifesta de outras formas, com um foco maior em “se sentir bem consigo mesmo” e na “diversidade”, em vez de revolta.
A influenciadora enfatiza que o processo de emagrecimento está sendo acompanhado por médicos, visando uma “vida normal” e a resolução de questões relacionadas ao corpo e à genética. Ela critica a ideia de que emagrecer transforma pessoas em “Gisele Bündchen”, ressaltando que o objetivo é apenas ter mais qualidade de vida, e que a percepção social da gordura persiste.
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