Indústria de Shows no Reino Unido Pede Legislação Mais Rápida Contra Revenda de Ingressos Acima do Valor de Face
A indústria de entretenimento ao vivo do Reino Unido demonstra impaciência com o ritmo da legislação governamental para coibir a revenda de ingressos acima do valor original. Alex Hill, presidente e CEO da AEG International, destacou a urgência em solucionar o problema, que afeta diretamente os fãs e a integridade do mercado.
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Durante sua participação no SXSW London, Hill abordou os desafios enfrentados pelo público na aquisição de ingressos para eventos de alta demanda. Ele apontou o uso de tecnologia por “atores mal-intencionados”, como bots e cambistas, para manipular o processo de vendas e gerar lucros exorbitantes na revenda.
A promessa de banir a venda de ingressos acima do valor de face no mercado secundário, feita pelo atual governo trabalhista em seu manifesto eleitoral de 2024, gerou expectativas. No entanto, o atraso na implementação da legislação tem sido motivo de descontentamento entre artistas e líderes da indústria, que apoiam a medida. Nomes como Coldplay e Ed Sheeran já manifestaram publicamente seu apoio à proibição.
O desejo da indústria por agilidade regulatória
Em um painel realizado no Shoreditch Town Hall, Alex Hill respondeu a questionamentos sobre o crescimento do setor de shows e a dinâmica de “alta demanda e oferta limitada”. Ele ressaltou o desejo coletivo da indústria em avançar mais rapidamente do que os órgãos reguladores.
“Há um desejo aqui no Reino Unido de proteger os fãs e muito trabalho tem sido feito sobre o mercado secundário de ingressos”, afirmou Hill. Ele acrescentou, com um toque de humor e retrospectiva, que “como indústria, gostaríamos de avançar mais rápido que o regulador no momento. Mas isso sempre será um problema. Foi um problema para mim em 1985, quando tentei conseguir ingressos para um show do Bruce Springsteen”.
Hill enfatizou a persistência de “atores mal-intencionados, como bots e cambistas, que buscam tornar esse processo ainda mais difícil” para o consumidor final. A frustração com a lentidão regulatória é palpável, e a indústria busca soluções efetivas para garantir o acesso justo aos eventos.
Tendências e desafios no pós-pandemia
Na mesma conversa, que durou cerca de 25 minutos e foi moderada por Stephen Armstrong, do The Observer, Hill também discutiu as tendências atuais e o boom do mercado de shows após a pandemia. Ele mencionou um relatório da Billboard que indicava uma desaceleração no crescimento de bilheteria após recordes em 2024 e 2025, apesar de artistas como Bad Bunny e Lady Gaga liderarem o ranking.
O executivo creditou o streaming e o mercado digital por expandirem o acesso dos fãs a novos gêneros musicais. Ele citou os shows de Bad Bunny e BTS no Tottenham Hotspur Stadium, em Londres, como exemplos de fãs “experimentando músicas que nunca tinham ouvido antes”, impulsionados por essas plataformas digitais.
“A demanda não é um problema em nossa indústria”, declarou Hill. Ele apontou que, embora o crescimento ano a ano tenha diminuído, os números ainda mostram sinais positivos quando comparados a períodos anteriores, como 2019. Contudo, o aumento dos custos, incluindo impostos e mão de obra, tem gerado “pressão” sobre promotores e casas de show.
“Temos que ter cuidado para gerenciar os custos e não destruir ou impactar essa demanda”, concluiu Hill, sinalizando a necessidade de um equilíbrio entre o crescimento do mercado e a sustentabilidade financeira do setor. A questão da revenda de ingressos, no entanto, permanece como um ponto crítico a ser resolvido com maior celeridade pelo governo.
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